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1 de Dezembro: "We have every reason to think that the decision to shoot down our plane was dictated by the desire to protect the oil supply lines to Turkish territory, right to the ports where it is loaded onto tankers", told Vladimir Putin. "We have received additional information which unfortunately confirms that this oil, produced in areas controlled by the Islamic State and other terrorist organisations, is transported on an industrial scale to Turkey". In response, Turkish President Recep Tayyip Erdogan said, "if you allege something you should prove it".

2 de Dezembro: Russia's deputy defense minister says the Turkish President and his family are benefiting from illegal oil trade with Islamic State militants. Minister Anatoly Antonov told that Moscow has evidence showing that Turkish President Recep Tayyip Erdogan and his family are involved in the oil trade with IS and personally benefit from it.

Como se constata, as relações bilaterais entre a Rússia e a Turquia continuam a deteriorar-se na sequência do incidente em que um avião militar russo foi abatido por Ancara. Como é óbvio, não é um pormenor despiciendo se Erdogan está ou não envolvido no tráfico ilegal de petróleo, oriundo do território sírio controlado pelo grupo terrorista Estado Islâmico. Envolvido ou não Erdogan, é um segredo público que o grosso do petróleo do Estado Islâmico é escoado para a Turquia. Dito por outras palavras, todos sabemos que a Turquia anda muito longe de fazer o que está ao seu alcance para colocar um travão nessas rotas de escoamento do petróleo sírio do Estado Islâmico.

Naturalmente, não há anjos no conflito sírio. A Rússia e a Turquia têm as suas agendas estratégicas próprias. Aliás, como têm os Estados europeus e os EUA. Dito isto, o upgrade na tensão entre Moscovo e Ancara não é necessariamente uma má notícia, ainda que envolva pelo meio a NATO. No mínimo, a Turquia vai ter de atenuar a sua conduta ambígua. A pressão russa retira autonomia estratégica a Erdogan e obrigará, pelo menos em teoria, a uma certa clarificação. Em vez de uma preocupação central e quase exclusiva com a vertente curda do conflito, a tensão com Moscovo obrigará a um maior empenho de Ancara no combate ao Estado Islâmico.

Ao abater um avião militar russo, a Turquia terá dado um passo maior do que a perna. Sabemos como começou a crise entre Ancara e Moscovo, mas estamos ainda longe de saber como e onde terminará. Entretanto, há que tirar partido da situação e pressionar Erdogan para que a Turquia contribua de forma mais eficaz e substantiva no combate Estado Islâmico.

 

[Adenda]

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publicado às 13:32


4 comentários

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De Fábio Belchior a 03.12.2015 às 15:18

Comentário interessante, faço apenas alguns pontos com o intuito de tentar complementar com mais alguns dados:
1. Não consigo concordar totalmente quando afirma que “a Turquia terá dado um passo maior do que a perna”, isto porque, como sabemos, a Turquia tem atrás de si a OTAN e a OTAN tem na Turquia um braço armado daquela região. Para além disso, acredito que a Rússia teme bastante mais os movimentos da OTAN do que o contrário.
2. É certo que “a Turquia não faz tudo o que pode” e é ainda mais certo que irá mudar o seu esforço relativamente ao combate contra os terroristas. Porém, a Rússia promete um esforço bem maior, digo isto baseado no que Putin disse a Hollande a semana passada.
3. Por último, estamos perante uma janela de oportunidade para o Ocidente e ao que parece “os astros estão alinhados” todavia, sobre “o conjunto de penalizações económicas à Turquia”, é curioso verificar que a Rússia não inclui os pipelines no programa de sanções económicas.
Mais uma vez, bom comentário.
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De Paulo Gorjão a 03.12.2015 às 15:32

Caro Fábio,
Obrigado pelas suas palavras e pelos comentários. O ponto 3 da sua observação já está 'desactualizado':
http://www.bbc.com/news/world-europe-34995472
Aliás, o problema neste tipo de artigos, como este que acabo de escrever, é a sua rápida desactualização e, necessariamente, o facto de serem sempre uma radiografia incompleta.
Qto à NATO, não discordo da sua apreciação, mas não estou certo do papel que a NATO quererá desempenhar na região. Optei por não me meter nessa guerra...
Abraço.
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De Fábio Belchior a 03.12.2015 às 15:44

Olá Paulo,
Eu reparei que quando acabei de fazer o comentário algo tinha mudado, mas ao que parece apenas o projecto dos pipelines foi cancelado, o abastecimento de gás continua. "Problems with the Turkish Stream project have not affected the delivery of Russian gas to Turkey via the existing Blue Stream pipeline." Como tal o meu comentário não está assim tão desactualizado :) Pode ver mais por aqui: http://www.euractiv.com/sections/energy/russia-shelves-turkish-stream-pipeline-project-320092

Abraço.
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De Paulo Gorjão a 03.12.2015 às 16:06

Seria necessário uma escalada muito grande para a Rússia bloquear o fornecimento de gás, dado que tal teria repercussões noutros tabuleiros e colocaria em causa o seu papel no domínio da segurança energética europeia. A Rússia tentará utilizar a energia de um ângulo geopolítico, mas procurando sempre manter a sua abordagem enqto mera commodity. Uma autêntica quadratura do círculo, bem sei...

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Paulo Gorjão. Blogging since 2003, de acordo com a norma ortográfica antiga.

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