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Quem pediu uma moção de rejeição?

por Paulo Gorjão, em 01.12.15

PSD vai apresentar uma moção de rejeição em coordenação com CDS. Confesso que não consigo identificar o desígnio estratégico desta decisão. O PSD, pela parte que lhe toca e independentemente da posição de terceiros neste ciclo político, deveria manter o cumprimento da regra não-escrita de não apresentar moções de rejeição. De um ponto de vista ético/moral e político conferia-lhe uma posição de superioridade e era uma carta que, noutras circunstâncias, poderia utilizar. Ao enveredar pela moção de rejeição, o PSD abdica dessa vantagem e, pior ainda, legitima a posteriori a posição oportunista do PS e a sua violação de uma regra não-escrita fundamental.

Mas o mais grave é que, tanto quanto consigo perceber, o PSD perde um trunfo importante sem ganhar nada em troca. Desiludam-se aqueles que pensam que esta moção de rejeição terá qualquer resultado prático. Não sei como votará o PCP, se se abstém ou se vota contra, mas uma coisa tenho a certeza: não será certamente por causa do PCP que cairá o Governo de António Costa.

Por tudo isto, não consigo deixar de ver nesta decisão um enorme erro. Sinal, porventura, de algum desnorte.

 

[Adenda]

Mais. Moção de rejeição que, uma vez derrotada, ainda por cima poderá ser apresentada como uma espécie de moção de confiança informal.

[Nova adenda]

Pedro Nuno Santos a ir na direcção referida e a reafirmar a "alternativa maioritária", transformando por essa via a moção de rejeição do programa do Governo em aparente moção de confiança.

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publicado às 15:10


2 comentários

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De simplesmente avô a 02.12.2015 às 11:09


No mínimo, moção intempestiva, inoportuna e, sobretudo, ingénua.
Sem imagem de perfil

De Miguel Madeira a 04.12.2015 às 02:47

"deveria manter o cumprimento da regra não-escrita de não apresentar moções de rejeição. "

Mas qual regra não-escrita? Sempre se apresentaram moções de rejeição, incluindo do PS contra governos do PSD (em 1985) e do PSD contra governos do PS (em 1999).

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