Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Novo governo e relação reformulada com a NATO?

por Paulo Gorjão, em 20.11.15

O embaixador dos EUA em Lisboa, Robert Sherman, manifestou publicamente a sua preocupação com o eventual impacto das alianças políticas do PS com o BE e o PCP, caso o secretário-geral do PS, António Costa, venha a ser indigitado primeiro-ministro pelo Presidente da República, nomeadamente no âmbito dos compromissos internacionais de Portugal. Em causa está a posição política anti-NATO do BE e do PCP, expressa muito claramente nos seus programas eleitorais, mas visível também recentemente nas manifestações contra os exercícios militares da Aliança Atlântica "Trident Juncture 2015".

Tanto o BE como o PCP foram muito claros nos programas eleitorais que apresentaram recentemente nas eleições legislativas de Outubro de 2015. O primeiro defendendo a "saída [de Portugal] da NATO e a [subsequente] acção diplomática pela [sua] extinção". O segundo argumentando também na mesma linha a favor da "dissolução da NATO". Mais recentemente, num comunicado da coordenadora distrital de Beja, o BE manifestou a sua oposição à realização da primeira fase do exercício da NATO "Trident Juncture 2015" em Beja. Por sua vez, numa nota do seu gabinete de imprensa, o PCP condenou a participação portuguesa nos exercícios militares da NATO.

Inevitavelmente, a resposta política do BE e do PCP não demorou muito tempo. "Uma intolerável ingerência na vida interna de Portugal", acusa o PCP. Declarações "desajustadas e deselegantes", refere o BE.

Ainda que se possa questionar a intervenção pública de Sherman, na verdade o argumento de uma eventual ingerência ou de deselegância tem pouco fundamento. A intervenção do embaixador dos EUA, como é evidente, visa exercer alguma pressão pública junto de António Costa. Nada que a política externa portuguesa não tenha feito também no passado, quer junto dos EUA quer de outros países com quem mantém maior ou menor proximidade diplomática.

Isto dito, a preocupação expressa publicamente por Sherman tem razão de ser?

Continuar a ler.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 17:39

Um tuíte por dia

por Paulo Gorjão, em 18.11.15

RS17112015.jpg

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 09:32

Pacto de Segurança vs. Pacto de Estabilidade

por Paulo Gorjão, em 17.11.15

França anunciou que vai falhar as metas do défice e afirmou esperar compreensão da União Europeia, uma vez que irá ter gastos extraordinários com o reforço de meios humanos e materiais na luta antiterrorista. François Hollande referiu que, "nas actuais circunstâncias, o pacto de segurança está em cima do Pacto de Estabilidade".

Não há muito para dizer perante estas declarações e este posicionamento político. Fica mal a Hollande aproveitar os atentados terroristas de Paris para justificar o incumprimento das metas do défice. A França, com ou sem atentados, falharia as metas uma vez mais. Justificar o incumprimento com os atentados é, muito simplesmente, falta de pudor e de escrúpulos.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 14:00

Um tuíte por dia

por Paulo Gorjão, em 17.11.15

PB15112015.jpg

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 13:49

Um tuíte por dia

por Paulo Gorjão, em 16.11.15

image.jpeg

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 11:23

A melhor resposta aos atentados de Paris?

por Paulo Gorjão, em 14.11.15

ribbon-black_68.png

Bem sei que Portugal não está no olho do furacão e por isso parece fácil estar a falar. Muito sinceramente, não creio que a minha perspectiva mudasse se um atentado desta natureza ocorresse entre nós.

Só há um caminho a seguir. Importa retirar as devidas lições destes atentados, naturalmente, mas com o tempo e o distanciamento possível. Se necessário e dentro do que é razoável, os países europeus devem reforçar os mecanismos que contribuam para a sua segurança e por essa via os meios de combate ao terrorismo. Mas, sobretudo, importa manter a mais absoluta normalidade e preservar o nosso modo de vida, nomeadamente a nossa relação com a liberdade nas suas diversas manifestações. É absolutamente essencial que estes atentados não atinjam o seu fim. A intimidação e a insegurança não podem ter como resposta uma diminuição intolerável da nossa liberdade.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 19:42

Um nojo

por Paulo Gorjão, em 14.11.15

AG13112015.jpg

Como refere António Araújo, isto é um nojo. 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 19:16

O que vale o compromisso de Centeno?

por Paulo Gorjão, em 13.11.15

A agência de notação DBRS diz que o PS, por intermédio de Mário Centeno, garantiu o seu compromisso com a redução do défice, o que foi "muito importante" para a manutenção do "rating" e da "perspectiva estável".

Fico satisfeito, como é óbvio, em saber que, se vier a ser chamado para formar governo, o PS quer manter as políticas de austeridade. A palavra é maldita e António Costa vai procurar chamar-lhe outra coisa, mas na essência é do mesmo que se trata: o cumprimento das regras definidas no Tratado Orçamental que obrigam a uma redução do défice e da dívida pública.

O meu problema e a minha preocupação é que Centeno não tem peso político. Em circunstância alguma será um ministro das Finanças com capacidade para fazer frente ao seu primeiro-ministro e aos pesos-pesados do PS. Maria Luís Albuquerque também não tem peso político, dirá o leitor. Pois não, mas ela tem o apoio político indiscutível de Pedro Passos Coelho no sentido de cumprir as metas do Tratado Orçamental. Terá Centeno o mesmo respaldo em Costa?

Duvido, por convicção e necessidade. Comecemos pela primeira. É um facto que o líder do PS passou a campanha eleitoral a reafirmar que não colocaria em causa as metas do Tratado Orçamental, mas a verdade é que, ao mesmo tempo, nunca escondeu que discorda delas e que, se a oportunidade existir, será parte activa na sua fragilização. À sua convicção junta-se a necessidade: apenas podendo sobreviver à custa do frágil apoio político de BE e PCP -- estes dois manifestamente anti-Tratado Orçamental -- Costa sofrerá enormes pressões políticas que, mais tarde ou mais cedo, serão impossíveis de acomodar.

Naturalmente, Costa pressionará o seu ministro das Finanças. Sem peso político e sem respaldo, Centeno terá duas opções: demitir-se ou fechar os olhos à derrapagem do défice e da dívida. Indiscutivelmente ambicioso, algo me diz que Centeno enfrentará grandes dilemas. Por isso, o seu compromisso não me tranquiliza muito. É algo que não está apenas -- ou sobretudo -- nas suas mãos.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 19:36

Um tuíte por dia

por Paulo Gorjão, em 13.11.15

image.jpeg

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 10:58

Uma revisão constitucional extraordinária?

por Paulo Gorjão, em 12.11.15

Pedro Passos Coelho propõe uma revisão constitucional extraordinária para, de imediato, dissolver o Parlamento e convocar novas eleições legislativas. O PS, naturalmente, não aceitará o desafio. Faz mal. Assim poderia submeter-se ao voto dos portugueses sendo claro que está disponível para refundar as convenções dos últimos 40 anos. Seria a forma suprema de legitimar esse caminho, devolvendo aos eleitores a palavra soberana. Se os eleitores dessem uma maioria aritmética a BE, PCP e PS, bom, nesse caso já não estaria aqui quem falou.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 19:58

Um tuíte por dia

por Paulo Gorjão, em 12.11.15

JM12112015.jpg

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 14:39

Não será o meu primeiro-ministro

por Paulo Gorjão, em 11.11.15

Em 40 anos de democracia votei umas vezes no PS outras no PSD. Já votei nos vencedores e nos vencidos. Já fui governado por primeiros-ministros nos quais não votei. Sem drama. A democracia é mesmo assim e, como é óbvio, sempre aceitei com naturalidade os resultados oriundos das eleições legislativas, mesmo que discordasse daquela que tinha sido a opção maioritária. No fundo, no dia a seguir ao acto eleitoral, independentemente da minha orientação de voto, de um ponto de vista formal, o primeiro-ministro eleito era o meu primeiro-ministro: constitucional, política e moralmente legítimo.

Tudo mudará se António Costa vier a ser indigitado primeiro-ministro, como é possível que possa acontecer. Pela primeira vez em 40 anos de democracia, não reconhecerei legitimidade a um primeiro-ministro para ser o meu primeiro-ministro. O secretário-geral do PS -- que perdeu as eleições, importa lembrar -- chegará ao cargo violando uma convenção com 40 anos, sem nunca ter sido claro sobre o que viria a fazer, ainda por cima com base num governo minoritário e num acordo manhoso. Não lhe reconhecerei em circunstância alguma a legitimidade para ser o meu primeiro-ministro.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 18:13

Um tuíte por dia

por Paulo Gorjão, em 11.11.15

PG11112015.jpg

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 15:28

Portugal e Angola: o caso Luaty Beirão

por Paulo Gorjão, em 11.11.15

O meu comentário ao caso Luaty Beirão no âmbito das relações entre Portugal e Angola.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 13:31

Um tuíte por dia

por Paulo Gorjão, em 10.11.15

CGP10112015.jpg

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 23:49

Cunhal faria hoje anos se fosse vivo

por Paulo Gorjão, em 10.11.15

Há ironias que se fossem premeditadas não teriam o mesmo êxito. O que dizer das concessões que o PCP conseguiu obter à custa do PS praticamente sem ceder nada em troca? O acordo que, afinal, não passa de uma "posição conjunta sobre solução política"? Acordo esse rubricado, precisamente, no dia de aniversário de Álvaro Cunhal?

Onde quer que esteja no seu descanso eterno, hoje Cunhal deve ter aberto uma garrafa de espumante. Mais do que celebrar o seu aniversário, Cunhal vê finalmente o PCP desferir um golpe político no PS que a seu tempo não poderá deixar de fornecer ganhos estratégicos. Longe vão os tempos em que uma das funções históricas dos Socialistas -- do PS do seu grande rival, Mário Soares -- era, precisamente, a contenção das forças políticas à sua esquerda. Essa era uma das grandes mais-valias do PS, um elemento da sua identidade histórica, mas também um factor que se traduzia em votos.

Deve ser com enorme gozo que Cunhal vê um líder fraco no PS negociar com o PCP que se encontra numa posição de força. Desfrutando vagarosamente o seu espumante, sorrindo, Cunhal assiste à maior vitória do PCP no pós-1976. De facto, não poderia ter tido melhor prenda de aniversário.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 19:00

Portugal: do Muro de Berlim à TTIP

por Paulo Gorjão, em 10.11.15

O meu artigo publicado hoje no jornal i.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 15:31

E que tal um governo de gestão?

por Paulo Gorjão, em 09.11.15

Chega a ser quase impressionante a forma como os analistas e os comentadores dão como adquirido que o Presidente da República indigitará obrigatoriamente António Costa. Erro que, refira-se, o secretário-geral do PS não comete. Pode ser que Cavaco Silva o venha a fazer, não sei. Não faço ideia. O que sei é que esse caminho não é obrigatório e que há também a possibilidade de Cavaco Silva optar por um governo de gestão. Se se olhar com atenção, há um argumentário possível para sustentar essa posição, se necessário, e alguns indícios de que o Presidente não exclui liminarmente essa hipótese.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 23:55

Um tuíte por dia

por Paulo Gorjão, em 09.11.15

TS09112015.jpg

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 16:00

When the chips are down...

por Paulo Gorjão, em 08.11.15

Tal como se previa, politicamente falando, este foi um fim de semana cheio, com as últimas peças do puzzle a serem colocadas nos seus devidos sítios. Com os acordos políticos finalizados, a última peça foi o anúncio pelo PS de que avançará com uma moção de rejeição própria do Governo. Perante a mais do que previsível queda de Pedro Passos Coelho, fica a faltar apenas a decisão do Presidente da República. Não arrisco um prognóstico. Aníbal Cavaco Silva definiu um caderno de encargos que, sem uma dose de boa vontade, certamente não será preenchido por António Costa. A decisão política não será fácil, mas o Presidente a seu tempo terá nas mãos os documentos necessários para avaliar, com base na informação que reuniu, pesados os prós e os contras, qual será a melhor solução.

Pessoalmente não poderia estar mais pessimista e, ao mesmo tempo, certo que se avizinham tempos de grande instabilidade política. Estamos a viver dias que ficarão gravados nas páginas da história do regime democrático, infelizmente por motivos que não são os melhores.

O meu desejo pessoal?

Espero que consigamos ultrapassar este dias de enorme turbulência política com o mínimo de cicatrizes, na certeza de que nada voltará a ser como antes. Ao Presidente, os meus votos que decida bem. E seja o que Deus quiser.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 23:22


O autor

Paulo Gorjão. Blogging since 2003, de acordo com a norma ortográfica antiga.

Arquivo

  1. 2016
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2015
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2014
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2013
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2012
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D