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Bloco de Esquerda apresentou um voto de condenação da "repressão em Angola" que foi rejeitado por PCP, PSD e CDS, mas que contou com a abstenção do PS. Confesso que esta abstenção -- uma tentativa aparente de agradar a gregos e a troianos em simultâneo -- me surpreendeu, na medida em que esperava da parte do PS o envio de um sinal para Luanda de que a tradicional desconfiança entre MPLA e PS eram águas do passado, aliás em linha com o Governo de José Sócrates.

Ora, esta abstenção significa que as relações entre António Costa e José Eduardo dos Santos vão começar com o pé esquerdo. O facto de ser Cabo Verde o primeiro PALOP a quem Costa vai efectuar uma visita reforça mais ainda a percepção de mau começo nas relações luso-angolanas.

A ser assim, Augusto Santos Silva vai ter muito trabalho pela frente. Não basta dizer que a política externa portuguesa mantém as suas principais linhas condutoras. As palavras têm de ser acompanhadas por actos e, neste momento, há espaço para mal entendidos entre Lisboa e Luanda. Existe sintonia entre Costa e Santos Silva quanto ao lugar de Angola na hierarquia de prioridades da diplomacia portuguesa?

É certo que no plano económico as relações bilaterais têm perdido fulgor nos dois sentidos. Desse ponto de vista, Angola é hoje menos importante para Portugal, o que nem tem de ser forçosamente negativo. Em todo o caso, Angola é ainda um parceiro económico da maior importância.

Regresso ao início: a abstenção do PS só teve sentido se obedeceu a uma estratégia de médio ou longo prazo, no sentido de reposicionar Portugal na questão dos direitos humanos em Angola. Se assim foi, era relevante saber com que cenário está o PS a trabalhar e também porque entende que era necessário esse reposicionamento. Na verdade, julgo que a decisão não terá obedecido a uma estratégia. Se houve uma terá sido de política e de equilíbrio internos.

Augusto Santos Silva tem neste voto uma batata quente para resolver. Pior ainda se Luanda quiser fazer deste caso uma questão política de primeiro plano. 

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publicado às 15:06

Porta giratória

por Paulo Gorjão, em 07.01.16

Francisco Assis: "Ao afirmar o que afirmou, Augusto Santos Silva, que não é propriamente uma figura subalterna ou periférica no governo, contribuiu decisivamente para a definição da identidade programática do actual executivo. Tudo o que ele disse em matéria de política externa tem reflexos imediatos na nossa vida política interna."

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publicado às 15:04


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Paulo Gorjão. Blogging since 2003, de acordo com a norma ortográfica antiga.

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