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Colocando o dedo na ferida

por Paulo Gorjão, em 31.12.15

Leal da Costa: "Honestamente não tive conhecimento de outros casos. Tendo existido, estranho que não tenha havido um assomo de brio da parte das equipas de profissionais, porque continuaram numa posição de inflexibilidade. Do ponto de vista ético e deontológico houve algo que correu muito mal."

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publicado às 17:15

Um prognóstico que subscrevo

por Paulo Gorjão, em 31.12.15

Francisco Assis: "Esta legislatura não vai durar quatro anos dada a estrutural instabilidade da presente composição parlamentar. António Costa, para ter sucesso, terá de ter condições para escolher o tema e o momento da crise política anunciadora do seu fim. É aí que tudo se vai jogar e tal poderá suceder muito mais cedo do que antevêem a maioria dos analistas."

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publicado às 17:10

Um tuíte por dia

por Paulo Gorjão, em 04.12.15

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publicado às 10:49

Uma oposição de luxo

por Paulo Gorjão, em 03.12.15

Ainda a propósito do exercício de oposição que se avizinha, duas ou três notas. Uma das dificuldades de estar na oposição e apresentar propostas prende-se com o desconhecimento factual dos dossiers e dos números, o que obriga a declarações e propostas genéricas para evitar grandes argoladas. Ora, tendo exercido o poder executivo até muito recentemente, PSD e CDS conhecem como ninguém os dossiers e os números. Desse ponto de vista, este ciclo é um dos mais equilibrados entre Governo e oposição. Não lutam com as mesmas armas, naturalmente, mas a diferença não é abissal como no passado.

Acresce que a própria equipa que integra a oposição tem uma qualidade acima da média: inclui o ex-PM, o ex-vice-PM e alguns ex-ministros, nomeadamente Maria Luís Albuquerque. Qualquer um deles, sem excepção, tem reconhecida experiência executiva e conhece muitos dos dossiers por dentro e por fora. Em suma, sabem do que falam.

Por todas as razões e mais alguma -- envolvente externa difícil, natureza frágil do apoio parlamentar que sustenta António Costa e uma oposição de luxo -- o Governo enfrentará um ciclo político muito duro. Ora, deve ser precisamente em torná-lo mais exigente ainda que PSD e CDS devem concentrar as suas forças políticas.

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publicado às 23:45

Le Roi est mort, vive le Roi!

por Paulo Gorjão, em 03.12.15

Com o chumbo da moção de rejeição -- que PSD e CDS não deveriam ter apresentado -- fecha-se um ciclo político e abre-se um novo. Hoje, PSD e CDS ainda acentuaram a natureza politicamente ilegítima do actual Governo de António Costa. Nos tempos mais próximos, terá sido, porventura, o último dia em que valeu a pena insistir nisso. A partir de agora o exercício de oposição terá de assumir contornos diferentes. PSD e CDS terão de desmontar as opções de Governo, mas também de apresentar as suas alternativas. A usura do tempo fará o resto.

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publicado às 23:18

Um tuíte por dia

por Paulo Gorjão, em 03.12.15

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publicado às 15:14

1 de Dezembro: "We have every reason to think that the decision to shoot down our plane was dictated by the desire to protect the oil supply lines to Turkish territory, right to the ports where it is loaded onto tankers", told Vladimir Putin. "We have received additional information which unfortunately confirms that this oil, produced in areas controlled by the Islamic State and other terrorist organisations, is transported on an industrial scale to Turkey". In response, Turkish President Recep Tayyip Erdogan said, "if you allege something you should prove it".

2 de Dezembro: Russia's deputy defense minister says the Turkish President and his family are benefiting from illegal oil trade with Islamic State militants. Minister Anatoly Antonov told that Moscow has evidence showing that Turkish President Recep Tayyip Erdogan and his family are involved in the oil trade with IS and personally benefit from it.

Como se constata, as relações bilaterais entre a Rússia e a Turquia continuam a deteriorar-se na sequência do incidente em que um avião militar russo foi abatido por Ancara. Como é óbvio, não é um pormenor despiciendo se Erdogan está ou não envolvido no tráfico ilegal de petróleo, oriundo do território sírio controlado pelo grupo terrorista Estado Islâmico. Envolvido ou não Erdogan, é um segredo público que o grosso do petróleo do Estado Islâmico é escoado para a Turquia. Dito por outras palavras, todos sabemos que a Turquia anda muito longe de fazer o que está ao seu alcance para colocar um travão nessas rotas de escoamento do petróleo sírio do Estado Islâmico.

Naturalmente, não há anjos no conflito sírio. A Rússia e a Turquia têm as suas agendas estratégicas próprias. Aliás, como têm os Estados europeus e os EUA. Dito isto, o upgrade na tensão entre Moscovo e Ancara não é necessariamente uma má notícia, ainda que envolva pelo meio a NATO. No mínimo, a Turquia vai ter de atenuar a sua conduta ambígua. A pressão russa retira autonomia estratégica a Erdogan e obrigará, pelo menos em teoria, a uma certa clarificação. Em vez de uma preocupação central e quase exclusiva com a vertente curda do conflito, a tensão com Moscovo obrigará a um maior empenho de Ancara no combate ao Estado Islâmico.

Ao abater um avião militar russo, a Turquia terá dado um passo maior do que a perna. Sabemos como começou a crise entre Ancara e Moscovo, mas estamos ainda longe de saber como e onde terminará. Entretanto, há que tirar partido da situação e pressionar Erdogan para que a Turquia contribua de forma mais eficaz e substantiva no combate Estado Islâmico.

 

[Adenda]

Versão mais polida aqui.

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publicado às 13:32

Um tuíte por dia

por Paulo Gorjão, em 02.12.15

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publicado às 12:58

Um tuíte por dia

por Paulo Gorjão, em 01.12.15

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publicado às 16:41

Quem pediu uma moção de rejeição?

por Paulo Gorjão, em 01.12.15

PSD vai apresentar uma moção de rejeição em coordenação com CDS. Confesso que não consigo identificar o desígnio estratégico desta decisão. O PSD, pela parte que lhe toca e independentemente da posição de terceiros neste ciclo político, deveria manter o cumprimento da regra não-escrita de não apresentar moções de rejeição. De um ponto de vista ético/moral e político conferia-lhe uma posição de superioridade e era uma carta que, noutras circunstâncias, poderia utilizar. Ao enveredar pela moção de rejeição, o PSD abdica dessa vantagem e, pior ainda, legitima a posteriori a posição oportunista do PS e a sua violação de uma regra não-escrita fundamental.

Mas o mais grave é que, tanto quanto consigo perceber, o PSD perde um trunfo importante sem ganhar nada em troca. Desiludam-se aqueles que pensam que esta moção de rejeição terá qualquer resultado prático. Não sei como votará o PCP, se se abstém ou se vota contra, mas uma coisa tenho a certeza: não será certamente por causa do PCP que cairá o Governo de António Costa.

Por tudo isto, não consigo deixar de ver nesta decisão um enorme erro. Sinal, porventura, de algum desnorte.

 

[Adenda]

Mais. Moção de rejeição que, uma vez derrotada, ainda por cima poderá ser apresentada como uma espécie de moção de confiança informal.

[Nova adenda]

Pedro Nuno Santos a ir na direcção referida e a reafirmar a "alternativa maioritária", transformando por essa via a moção de rejeição do programa do Governo em aparente moção de confiança.

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publicado às 15:10


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