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BCE: testes de stress

por Paulo Gorjão, em 26.10.14

Escrevo ainda antes da conferência de imprensa de hoje e por isso corro o risco de me enganar por completo. Não creio, todavia, que isso venha a acontecer. Adiante. Olhando para o que se passou com os testes de stress, há que reconhecer que o BCE geriu com enorme sabedoria todo o processo. Assim parece ser o caso, pelo menos.

Em primeiro lugar, os resultados dizem respeito a 2013. Na prática, até ao conhecimento da avaliação, o BCE deu cerca de nove meses aos bancos para corrigirem as falhas de cumprimento dos critérios. Assim, parte dos incumpridores pode agora salientar que falhou, mas que a situação está resolvida, sossegando por essa via accionistas, clientes e mercados.

Acresce que, ao longo da última semana, certamente com fugas de informação devidamente autorizadas pelo BCE, a imprensa foi divulgando cirurgicamente que alguns bancos estão (ainda) em situação de incumprimento e terão de tomar medidas adicionais. Por esta via, o BCE preparou os mercados para o que lá vinha e consequentemente mitigou o impacto negativo da informação a anunciar hoje. De algum modo, parte da informação, das expectativas, já foram digeridas e incorporadas pelos mercados.

Aliás, todo o exercício revela uma preocupação profunda no sentido de os testes de stress serem levados a sério, e por isso teriam sempre de existir bancos que iriam falhar, mas ao mesmo tempo procurando evitar, para além do necessário, eventuais impactos negativos.

Em retrospectiva, os dados parecem indicar que o BCE conseguiu o seu objectivo. A conferência de imprensa de hoje e a reacção das bolsas na segunda-feira permitirão tirar as dúvidas.

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publicado às 01:30

Podia ter dito o nome

por Paulo Gorjão, em 23.10.14

Rui Machete revela que há poucos portugueses a combater nas fileiras do Estado Islâmico, cerca de 12 a 15. Informa que há potenciais deserções. Diz que são raparigas. Em suma, quase que só faltou dizer o nome, mas estou certo que no Estado Islâmico se sabe de quem é que o ministro está a falar.

No caso de o Estado Islâmico não tomar medidas drásticas quanto a estas potenciais deserções, Machete confessa que não sabe muito bem como fiscalizar o seu regresso e, nas entrelinhas, fica implícito que já terão existido alguns regressos a Portugal.

E pronto. É isto. Pim, pam, pum.

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publicado às 12:55

Interligações europeias

por Paulo Gorjão, em 23.10.14

Nesta, como noutras questões, qual é a posição do PS? O silêncio quer dizer que apoia o Governo português?

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publicado às 12:53

"Conselho de Direitos Humanos: um eixo central da política externa portuguesa" (IPRIS Comentário, No. 3, Outubro de 2014).

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publicado às 15:46

Rejeita e recusa

por Paulo Gorjão, em 21.10.14

Passos rejeita antecipar eleições legislativas de 2015, destaca o Público. Passos recusa antecipar as eleições para antes do Verão, refere o Diário de Notícias. Eleições antecipadas. Passos rejeita, diz o i. Passos rejeita antecipar a data das eleições em 2015, salienta o Expresso Diário.

Ou seja, Passos Coelho consegue fazer strike. Não ficou um pino em pé. Toda a imprensa destaca a pequena aldeia gaulesa governativa que insiste na sua resistência ao império romano socialista. Subitamente, há que tirar o chapéu ao spin do PS, a elaboração atempada do próximo Orçamento do Estado (OE) até justifica que a legislatura termine mais cedo. As intenções do PS são tão puras e tão altruístas que não se percebe a falta de sentido de Estado do Governo. Afinal, o que é que custa antecipar as eleições legislativas em dois ou três meses?

A memória, sempre ela. Esta preocupação do PS com a elaboração atempada do OE surgiu do nada. Do nada surgiu porque obedece a uma lógica à la carte e a interesses de circunstância.

Em 2009, o PS tinha a faca e o queijo a mão. José Sócrates era primeiro-ministro e poderia ter sugerido ao Presidente da República a antecipação das legislativas desse ano. No entanto, o PS não o fez, tendo as eleições ocorrido no período constitucionalmente previsto, i.e. no caso em apreço, a 27 de Setembro. Na altura o PS não estava preocupado com a elaboração atempada do OE? A que se devem, afinal, estas preocupações de geometria variável?

Como referi anteriormente, António Costa sabe que o tempo joga contra si. Nessa medida, o secretário-geral do PS tem todo o interesse em encurtar o calendário. A preocupação com a elaboração do OE é meramente instrumental, i.e. trata-se de um meio para um fim. Não haja ilusões: o seu interesse na antecipação do calendário não é nada altruísta, mas totalmente egoísta.

Naturalmente, Passos Coelho tem toda a legitimidade política para rejeitar um timing que não é o que lhe interessa. Até diria mais. Quem sofre o desgaste do exercício da governação deve ter como forma de compensação a primazia na escolha do momento em que se travará a próxima disputa eleitoral. 

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publicado às 02:10

Um pé em cada tabuleiro

por Paulo Gorjão, em 20.10.14

Mais tarde ou mais cedo, este tipo de situações vai ter que ser legalmente clarificado. Há demasiados interesses em choque para que seja tolerado.

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publicado às 23:24

Óptimo

por Paulo Gorjão, em 20.10.14

As coisas que um gajo tem de dizer para fazer pela vidinha. A credibilidade, no entanto, exige que não se carregue tanto nas tintas. Caso contrário, a coisa soa apenas a ridícula.

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publicado às 23:18

"Angola, Espanha e Turquia: algumas notas sobre vencedores e vencidos na corrida ao Conselho de Segurança" (IPRIS Comentário, No. 1, Outubro de 2014).

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publicado às 13:05

Um muro chamado realidade

por Paulo Gorjão, em 19.10.14

"As eurodeputadas do PS Elisa Ferreira e Maria João Rodrigues forneceram a António Costa um retrato negro sobre as possibilidades de sucesso de uma renegociacão da dívida pública entre Portugal e a União Europeia—a qual teria também necessariamente de envolver o Fundo Monetário Internacional. (...) [A]s eurodeputadas basicamente disseram que neste momento não há condições—porque a Alemanha não quer—para que se faça uma renegociação substantiva da dívida." (Diário de Notícias, 18.10.2014)

 

Isto dito, o PS insiste na tese da reestruturação/renegociação—os termos são utilizados como sinónimos, ainda que sejam muito distintos no conteúdo e no alcance—da dívida, mesmo sabendo que as possibilidades de êxito, neste momento, são nulas e que seria até contraproducente se o Governo enveredasse por esse caminho.

No fundo, é um desejo que António Costa expressa num postal que envia ao Pai Natal, ainda que saiba que não será atendido. O que interessa é que a opinião pública saiba que, como as miss mundo, quer a paz no mundo. Pouco importam as probabilidades de êxito. Aconteça o que acontecer, Costa julga que nunca fica mal na fotografia. Mas terá razão?

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publicado às 22:25

Sobre a contabilidade de probabilidades

por Paulo Gorjão, em 19.10.14

Editorial: "Maria Luís Albuquerque pode nunca ser líder do PSD, é aliás provável que nunca o venha a ser ou sequer que tenha a oportunidade de disputar a liderança (...)." (Diário Notícias, 19.10.2014)

 

Não sei como chega o editorialista à conclusão de que é "provável" que Maria Luís Albuquerque nunca venha a ser candidata à liderança do PSD, ou que o 'aparelho', pouco virado para o "mercado dos eleitores", terá pouca simpatia pela ministra das Finanças.

A memória, por vezes, é importante para dar perspectiva. Quando Maria Luís Albuquerque tomou posse como ministra, as expectativas de alguns comentadores eram muito baixas e alguns até vaticinaram que Paulo Portas faria dela o que quisesse. Hoje, quase que custa a perceber como foi possível ter esta percepção pouco simpática das suas capacidades políticas.

Ora, é de capacidades políticas que estamos a falar e Maria Luís Albuquerque tem revelado estar como peixe na água no palco político ao mais alto nível. Regresso ao princípio: qualquer exercício de contabilidade de probabilidades me parece não ter qualquer sentido. Não sei se Maria Luís Albuquerque será um dia líder do PSD. O que sei é que não tem, como outros, qualquer handicap político.

Naturalmente, nada lhe será dado de mão beijada e ela, como todos os outros, terá de fazer o seu próprio caminho, negociar e construir as suas próprias redes de apoios, tanto junto dos militantes anónimos como dos elementos mais destacados. Não conheço um único antigo líder do PSD que não o tenha feito no passado. Mesmo os mais improváveis, para regressar às probabilidades que nada querem dizer.

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publicado às 19:44

Tem troco?

por Paulo Gorjão, em 19.10.14

O que pode levar alguém a querer ter milhões de euros em notas em casa?

Possivelmente podem existir diversas razões, mas nem todas serão pelos melhores motivos. A revista The Economist recentemente publicou um artigo sobre os benefícios da abolição de notas e moedas. Retive na memória um parágrafo, em particular:

"Abolishing cash would eliminate counterfeiting at a stroke, and make it much easier to trace illicit payments. The reduction in crime that would follow would be a huge boon, both socially and economically. The reduction in tax evasion alone would bring big fiscal benefits." (The Economist, 20.9.2014)

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publicado às 01:55

Passos Coelho: o seu valor

por Paulo Gorjão, em 18.10.14

Ricardo Costa: "Passos sabe que o seu valor político assenta em poucas linhas: foi ele que endireitou as contas públicas, que conseguiu a saída limpa, que ganhou os respeito dos mercados, de Bruxelas e de Berlim, e, mais importante, que não quis tomar medidas eleitoralistas quando já o podia fazer." (Expresso, 18.10.2014)

 

Ricardo Costa sumariza bem o que será muito provavelmente o core da argumentação de Passos Coelho nas próximas eleições legislativas. Mas para que esta mensagem seja eficaz, o primeiro-ministro e líder do PSD tem de encaixar no devido local as diferentes peças do puzzle: candidato presidencial, remodelação governamental, coligação com o CDS. E estas são as variáveis que ele controla. Faltam as restantes, que ele não controla: conjuntura política e económica europeia que evolua em sentido favorável, e pelo menos uma agência de notação que retire Portugal da categoria de 'lixo'.

Não será uma tarefa fácil, mas não é impossível se Passos Coelho não cometer erros. Um grande 'se', bem sei.

Isto dito, ainda que António Costa, por agora, tenha uma posição confortável nas sondagens, a verdade é que o seu caminho no próximo ano será muito difícil. A começar pelas sondagens. A dinâmica de vitória chega demasiado cedo e será muito difícil manter os actuais valores. Acresce que, se a conjuntura europeia evoluir no sentido que Costa defende será o Governo quem mais beneficiará disso. Daí, aliás, a insistência em eleições antecipadas. Costa sabe que o tempo corre contra si. Cada dia que passa é um dia de desgaste que, por mais que se resguarde na CML, joga contra si. O ideal seria que as eleições fossem já amanhã, de modo a que Costa não tivesse de se comprometer com alguma coisa. Com eleições legislativas agendadas apenas para Outubro de 2015, Costa tem a obrigação de avançar com propostas um pouco mais concretas, o que será sempre uma dor de cabeça, ao mesmo tempo que o Governo começa, em teoria, a ter resultados para apresentar.

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publicado às 15:14

Segundo o Diário de Notícias (DN), o próximo Orçamento do Estado estabelece que, "para efeitos do disposto no Código Penal", os funcionários do fisco são "investidos de poderes de autoridade pública". Assim, ainda segundo o DN, agredir, insultar ou apenas desobedecer a ordens de funcionários das finanças vai passar a ser punido com multa ou pena de prisão que pode ir até aos cinco anos.

Quero crer que a parte do "insultar" só pode ser lapso do jornalista. Caso contrário, mais vale injuriar ou difamar o Presidente da República porque a pena de prisão apenas pode ir até três anos. Acresce que alguém me terá de explicar por que razão um insulto ao Presidente é menos grave do que a um funcionário do fisco...

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publicado às 01:35

Angola e Espanha foram eleitas para o Conselho de Segurança da ONU para o biénio de 2015-2016. Se no caso de Angola era apenas uma formalidade, no caso de Espanha, sem clean slate, foi uma disputa renhida e que terminou com a derrota da Turquia.

Os lugares não-permanentes do Conselho de Segurança (CS) da ONU são cada vez mais disputados e as candidaturas anunciadas com crescente antecedência. O facto de a Turquia ter estado mais recentemente no CS da ONU, no biénio de 2009-2010 e de a Espanha ter anunciado há mais tempo a sua candidatura para este período, em 2005, não terá sido seguramente indiferente para o resultado final.

Portugal apoiou a candidatura espanhola, o que é perfeitamente natural, tendo em conta as relações entre os dois Estados. Acresce que Lisboa se comprometeu em apoiar Madrid em devido tempo. O aparecimento tardio da candidatura turca, pela qual Portugal tinha seguramente simpatia (Ancara esteve na primeira linha no apoio à candidatura portuguesa em 2010), deixou pouco ou nenhum espaço de manobra.

A presença no CS da ONU é um factor de prestígio e por isso os Estados investem, se necessário, muito do seu esforço diplomático para o conseguir. Mas é também um instrumento de potencia, de forma concreta, a sua influência e o seu poder internacional, para o bem e para o mal.

Angola e Espanha, como sempre acontece, acompanharam as suas candidaturas das suas respectivas prioridades. Uma parte é apenas retórica diplomática e outra será mais substantiva. O passado ensina-nos, no entanto, que não vale a pena fazer grandes planos. Raramente os biénios decorrem como se esperava. Um dos inconvenientes das crises é que, em muitos casos, nunca as antecipamos.

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publicado às 22:45

Escolhas e liberdade

por Paulo Gorjão, em 16.10.14

Luís Amado: "Alguma coisa vai ter que acontecer na Europa nos próximos seis meses. (...) É provável que um novo Governo em Portugal, na segunda metade do próximo ano, acabe por beneficiar de uma mudança no contexto europeu. (...) No essencial, a política macroeconómica seguida nos últimos anos era, de certo modo, inevitável. (...) E é justo reconhecer que o Governo conseguiu corrigir alguns dos desequilíbrios externos, pelo menos temporariamente, e reduzir o défice das contas públicas. O problema, é que a dureza do ajustamento num contexto de recessão e deflação agravou ainda mais a dívida pública e, sem uma reestruturação ou um novo ciclo de crescimento económico, será impossível garantir a sua sustentabilidade. Nenhum governo terá, por isso, nos próximos anos, condições para grandes escolhas orçamentais. O País não é livre com a dívida que tem." (Visão, 16.10.2014)

 

Luís Amado refere o óbvio ululante e que entra pelos olhos dentro de qualquer pessoa razoável e sensata. Défice e dívida. As duas questões que António Costa prefere ignorar publicamente no seu discurso partidário, ainda que tenha perfeita noção da sua centralidade na agenda política portuguesa. Nada que o tempo não resolva.

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publicado às 20:50


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