Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]




Passos Coelho e a Tecnoforma: take 2

por Paulo Gorjão, em 22.09.14

Parece que estava a adivinhar, mas era do mais elementar bom senso, i.e. começar pelo princípio: Pedro Passos Coelho estava ou não em regime de exclusividade no Parlamento?

Não, não estava. Por Toutátis, a revista Sábado não se lembrou de investigar/confirmar esse facto? Não era esse um ponto prévio elementar antes da publicação do artigo?

Continua, certamente.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 15:05

Passos Coelho e a Tecnoforma

por Paulo Gorjão, em 20.09.14

Enquanto simpatizante e apoiante, não tenho nada contra, muito pelo contrário, que se esclareçam as suspeitas colocadas à volta da relação de Pedro Passos Coelho com a Tecnoforma. Nesse sentido, a primeira questão a esclarecer é se o primeiro-ministro foi mesmo deputado em regime de exclusividade. A segunda é se recebeu dinheiro da Tecnoforma e, em caso afirmativo, se se trataram dos valores referidos na comunicação social. Não sendo esses os valores, se os mesmos de algum modo corresponderam a qualquer crime. Repito, nada contra o esclarecimento total desta questão, doa a quem doer, independentemente das eventuais irregularidades terem ou não prescrito.

A posição de Pedro Passos Coelho, ainda que expressa de forma cautelosa, diria até que defensiva, vai também no sentido de tudo se clarificar. Ainda bem. Constato com toda a satisfação a sua abertura para colaborar e esclarecer as suspeitas que foram colocadas.

Registo igualmente a prudência de António Costa e António José Seguro que, até ao momento, não se referiram publicamente ao assunto. No mínimo dos mínimos, os dois reconhecem que, por agora, há pouca base sólida para assumir qualquer leitura política. (Enfim, o Bloco é o Bloco, não vale a pena comentar.)

O que sabemos, por agora, é que a anterior queixa contra Passos Coelho (e Miguel Relvas), envolvendo fundos comunitários, foi arquivada pelo DCIAP por falta de provas. Repito, pela ausência de provas.

Sem cabalas e histerismos de outros tempos recentes, aguardo com toda a naturalidade pelo desfecho das investigações. Nessa altura regressarei certamente ao assunto. Por agora prevalece o benefício da dúvida: por princípio e porque me custa muito a acreditar que seja verdade.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 20:40

Escócia: não

por Paulo Gorjão, em 18.09.14
Como português e europeu, apenas posso desejar um resultado: que o 'não' vença no referendo que hoje ocorre na Escócia, se possível com uma vantagem confortável. A última coisa que a Europa precisa, neste momento, é de (mais) um enorme imbróglio, com repercussões directas para os envolvidos e indirectas para o continente em geral.
Vença quem vencer, em todo o caso, nada ficará igual no Reino Unido.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 17:50

O 'sistema', desta vez por António Costa, continua o ataque cerrado. Mesmo que António José Seguro tenha claramente frisado que a redução do número de deputados deveria ocorrer respeitando a representação proporcional, ainda assim é acusado de colocar em causa a proporcionalidade...

Mas se o problema é a redução do número de deputados, nesse caso esqueçamos o assunto e centremo-nos no resto, i.e. o voto preferencial do eleitor em relação ao deputado e o regime de incompatibilidades.

Vai uma aposta que Costa também não quer mexer nisto?

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 19:40

Eis de imediato o 'sistema' pela voz de Jorge Lacão a reagir às propostas de António José Seguro. Pouco importa se são boas ou más, o que interessa—e essa é a linha de continuidade—é manter tudo exactamente na mesma.

Os argumentos utilizados eram previsíveis: timing e populismo. Seriam estes, ou seriam outros se as circunstâncias assim o exigissem. O essencial é não mexer em nada. Não fazer ondas. Afinal, o sistema tem horror à mudança.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 19:20

Seguro: as incompatibilidades e a lei eleitoral

por Paulo Gorjão, em 16.09.14

António José Seguro lançou hoje a discussão sobre as regras de incompatibilidades de titulares de cargos políticos e de altos cargos públicos e o debate sobre a alteração da lei eleitoral à Assembleia da República.

Comecemos pelo óbvio: sim, o timing não é propriamente o melhor. Igualmente de acordo: há diversas questões que se poderão colocar sobre as medidas propostas. Mas sejamos claros: o timing e os 'problemas' foram sempre no passado a justificação para manter tudo exactamente na mesma. Houve sempre qualquer coisa para bloquear a mudança.

Vamos antes ao essencial: as medidas propostas merecem, no mínimo, ser discutidas de forma séria?

Não tenho a mais pequena dúvida sobre a resposta. Tal como não tenho qualquer dúvida que, se houver boa fé, não será difícil encontrar pontos de convergência, no mínimo, entre PS, PSD e CDS.

Comecemos pelas incompatibilidades de titulares de cargos políticos e de altos cargos públicos. Alguém minimamente razoável discorda do que é apresentado?

Duvido. Alguns poderão eventualmente dizer que tal diminui mais ainda a qualidade dos titulares de cargos políticos e de altos cargos públicos. Bom, mas então deixem-se de hipocrisias. A democracia tem custos. Como contrapartida aumentem os salários dos titulares de cargos políticos e de altos cargos públicos. Não me choca rigorosamente nada.

Quanto à lei eleitoral, admito reservas legítimas quanto à redução do número de deputados. Sou a favor, mas não é uma questão central. O que me parece central, de facto, é garantir aos eleitores a escolha dos seus deputados.

Repito. Não faltarão resistências a estas propostas em todos os partidos, incluindo dentro do PS ou do PSD, já para não falar do BE, PCP, ou CDS. Mas se houver vontade política estou certo que não será difícil encontrar uma solução aceitável para os partidos do arco da governação.

Mesmo assumindo que esta proposta de Seguro ocorre pelas piores razões, nomeadamente por mero calculismo político de circunstância, a verdade é que o líder do PS abriu a porta a um processo em que ele deixa de ser o condutor para ser um passageiro entre muitos outros. Que saiba, se quiser, ninguém está proibido de agarrar o volante. Quererá o PSD aceitar o repto?

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 16:10

Guiné-Bissau: a exoneração de Indjai

por Paulo Gorjão, em 16.09.14

O Presidente da República da Guiné-Bissau, José Mário Vaz, exonerou ontem o general António Indjai do cargo de Chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas.

O seu afastamento é uma medida da mais elementar higiene e marca mais um passo importante no retorno à normalidade na Guiné-Bissau. Tendo sido responsável pelo golpe de Estado de 2012, bem como peça fundamental nos acontecimentos de 2010, a sua exoneração era uma condição sine qua non para que se pudesse iniciar um novo ciclo.

Não é ainda conhecido o nome do seu sucessor. Espera-se que seja um militar minimamente alinhado com a necessidade imperiosa de reformar as Forças Armadas da Guiné-Bissau.

É claro que as novas autoridades estão a fazer aquilo que lhes competia, rompendo cuidadosamente as amarras com o anterior ciclo, ainda que com a imperiosa atenção de procurar fórmulas políticas inclusivas.

De certa forma, a bola está agora do lado da comunidade internacional. A reforma do sector de segurança—o grande problema que se arrasta e que tudo explica—não se faz sem dinheiro. Há alguns sinais que desta vez o financiamento da reforma poderá não ser um problema, mas cá estaremos para ver.

Em síntese, a exoneração de Indjai é uma boa notícia, corresponde a mais um passo no processo de normalização, mas importa saber quem lhe sucede. De algum modo, estamos a unir todos os pontinhos para criar as necessárias condições que permitam um novo esforço concertado que, de uma vez por todas, permita à Guiné-Bissau romper o ciclo de instabilidade em que mergulhou nas últimas duas décadas.

Por último, mas não em último, falta ainda proceder à recomposição da presença externa na Guiné-Bissau. Mais tarde ou mais cedo, a ONU terá de aprovar uma resolução que abra a porta a uma participação da CPLP juntamente com a CEDEAO. Dificilmente haverá uma reforma do sector de segurança digna desse nome sem a presença daqueles que são os parceiros centrais da Guiné-Bissau, i.e. os países de língua portuguesa.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 13:00

O primeiro-ministro reconheceu hoje o óbvio ululante: "o que ocorreu com o BES não ajuda a recuperação da nossa economia", mas também "não ajuda um Governo que tem eleições no próximo ano". O reconhecimento desta realidade foi quanto bastou—apesar de se Pedro Passos Coelho dizer expressamente que a venda do Novo Banco "não tem relação com qualquer processo eleitoral"—para se consolidar a ideia de que o primeiro-ministro quer o Novo Banco vendido o mais rapidamente possível, custe o que custar.

Vamos por partes. É óbvio que Passos Coelho tem todo o interesse em encerrar o mais rapidamente possível este assunto e que até poderá estar disponível para manter uma pressão política discreta nesse sentido. Como o próprio reconhece, a pouco mais de um ano das próximas eleições legislativas, a crise do BES ocorreu na pior altura.

Dito isto, pensar que Passos Coelho quer vender o Novo Banco, independentemente das condições, i.e. vender terrivelmente ‘mal’ se necessário, contra tudo e contra todos, é um passo que não dou. Nos últimos três anos, rigorosamente nada no seu comportamento político dá corpo a essa suspeição, aliás muito pelo contrário. Talvez se justifique lembrar que, aparentemente, parte dos problemas na coligação entre PSD e CDS decorreu da pouca preocupação eleitoral do primeiro-ministro.

Na verdade, há uma clara convergência de interesses que aponta para a venda rápida do Novo Banco e a vontade de Passos Coelho é apenas uma das variáveis. Importa não esquecer que são os bancos portugueses—indiferentes ao calendário eleitoral—quem mais quer a venda imediata do Novo Banco. Afinal, serão eles e os seus accionistas quem no final pagará o grosso da factura.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 12:40

Jaime Gama: a perpetuação da dificuldade

por Paulo Gorjão, em 14.09.14

Uma intervenção de Jaime Gama que António José Seguro e António Costa certamente não têm muito interesse em abordar. Um e outro preferem continuar a assobiar para o ar como se aquilo que espera um deles, se eventualmente for escolhido para liderar um governo, não fosse terrivelmente complicado: "a perpetuação da dificuldade". O melhor, mesmo, é ler os trechos disponíveis da lúcida intervenção de Gama.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 20:00

Pausa para circo

por Paulo Gorjão, em 12.09.14

Manuela Ferreira Leite garantiu ontem que Portugal não ficou com pasta do Emprego na Comissão Europeia porque o Governo não escolheu José Silva Peneda. Um dia antes, Carlos Zorrinho assegurou que o PS conseguiu travar a nomeação de Carlos Moedas para uma pasta social. Por último, mas não em último, Maria João Rodrigues também informou em tempos que era a preferida de Jean-Claude Juncker.

Sejamos claros. O preferido de Juncker era o Tino de Rans que não foi o escolhido por Pedro Passos Coelho devido à oposição de Fernando Costa. O resto é espuma. 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 13:10

PS contesta políticas e não pessoas

por Paulo Gorjão, em 11.09.14

"Não é prática do PS pedir a demissão de nenhum ministro. O PS contesta as políticas, contesta o Governo e quando entende defende a saída do Governo. A saída de um ou outro ministro é da competência do primeiro-ministro."
Óscar Gaspar, assessor económico de António José Seguro e dirigente do PS (Diário Económico, 26.7.2013: 11).

 

"O PS [através do deputado Luís Pita Ameixa] exigiu esta quinta-feira, no Parlamento, que o primeiro-ministro demita a ministra das Finanças [Paula Teixeira da Cruz], atendendo ao "caos nos tribunais portugueses" que diz verificar-se desde que o novo mapa judiciário passou a vigorar" (DN online, 11.9.2014).

 

Uma vez. Duas vezes, e assim sucessivamente. Santa paciência.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 17:10

ES Saúde: há mais OPAs que marinheiros?

por Paulo Gorjão, em 11.09.14

A José de Mello Saúde (JMS) divulgou hoje a sua OPA da Espírito Santo Saúde (ESS). Este passo, para um leigo como eu, parece fazer todo o sentido, na medida em que pretende evitar a entrada no mercado português de um novo player, ao mesmo tempo que elimina um rival e reforça a sua quota de mercado. Com uma só cajadada, se a OPA tiver êxito, a JMS mata três coelhos. Nada mau... Naturalmente, a JMS pretende eliminar qualquer foco de resistência e procura agradar a todos. Nesse sentido, Salvador de Mello salienta que uma OPA bem sucedida "permitirá criar um grupo nacional de dimensão europeia" e garantirá "um centro de competência português com projecção internacional". Noutros tempos teria sido muito sensível ao argumento dos centros de decisão nacional, preocupação que hoje aliás evoluiu para a fórmula dos centros de competências. Teria sido no passado, mas atendendo ao comportamento posterior de muitos dos subscritores desse famoso manifesto, já não sou. Nessa medida, pouco me importa se os centros de competências são portugueses ou não. Obviamente, nada tenho contra, antes pelo contrário, a existência de centros de competências em Portugal, mas pouco me importa a sua nacionalidade. Haverá bons argumentos para defender a OPA pela JMS, mas este não é seguramente um deles. Adiante. É muito interessante ver como a JMS procura transmitir a percepção de que há vantagens para todos—accionistas, Isabel Vaz, trabalhadores, utentes, Estadonuma OPA bem sucedida. Pura língua de pau. A ter êxito, a OPA da JMS terá um e apenas um grande vencedor, i.e. Salvador de Mello e o seu grupo familiar, como não poderia deixar de ser. Nessa medida, sob a atenção e parecer das entidades de supervisão, o mercado que decida, independentemente da nacionalidade dos interessados, o destino da ESS. Tão simples como isto.

 

[Adenda]

"Não vamos despedir na Espírito Santo Saúde. Contamos com todos os trabalhadores para o desenvolvimento do projecto", assegurou Salvador de Mello. Uma promessa, à boa maneira dos políticos, para ser violada mais tarde ou mais cedo. É claro que vão despedir. Chama-se sinergias. Não faltarão situações de duplicação de serviços médicos, administrativos, entre outros. Racionalmente, aliás, outra atitude não seria de esperar.

Quem seguramente não despedirá é a mexicana Ángeles, uma vez que à partida não há sinergias que o justifiquem.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 13:40

Seguro/Costa: o segundo debate

por Paulo Gorjão, em 10.09.14

O debate de hoje foi muito mais equilibrado. António José Seguro começou melhor, mas foi António Costa que terminou com maior ascendente. Neste segundo round inverteram-se os papéis: na maioria das ocasiões, Costa teve a iniciativa e Seguro acabou por passar grande parte do tempo a justificar as suas posições.

Afastadas as questões do carácter e da credibilidade de Costa, o debate centrou-se nas propostas dos candidatos. O terreno, naturalmente, era inclinado em desfavor de Seguro, uma vez que o líder do PS sempre tinha alguma coisa pela qual tinha de responder, enquanto que Costa se tem limitado a refugiar-se no domínio dos princípios gerais. No fundo, havia algumas propostas de Seguro para debater, mas pouco ou nada de Costa.

Neste debate Seguro nada arriscou e foi pouco incisivo. Em consequência, ao contrário de ontem, não conseguiu marcar a diferença. Mérito de Costa, naturalmente, que em paralelo aproveitou para ir discutindo—e em parte demolindo—as posições de Seguro.

Hoje, o vencedor foi Costa. A vitória não foi tão clara como a de ontem de Seguro, mas em todo o caso foi ele quem esteve em melhor plano, se assim se pode dizer.

Isto dito, os dois debates realizados até agora foram muito pobres de conteúdo. Imagino que Pedro Passos Coelho vai assistindo deliciado. E tomando muitas notas...

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 23:05

Comissão Juncker: o comissário Moedas

por Paulo Gorjão, em 10.09.14

Qualquer pessoa que expresse um comentário minimamente isento reconhecerá que, com a pasta da Investigação, Ciência e Inovação, Portugal ficou “bastante bem na fotografia”. Teresa de Sousa di-lo com todas as letras, num artigo que muito elogia as soluções encontradas por Jean-Claude Juncker. Noutro registo, Francisco Seixas da Costa também reconhece a “agradável surpresa” por Portugal ter tido uma “pasta desta importância”, o que na sua leitura é “ainda melhor do que aquela que havia sido falada pelos diversos comentadores”. Seixas da Costa vai mais longe e lembra que Juncker sempre foi “um bom amigo de Portugal”. O facto de Juncker ser um amigo político de Portugal foi, aliás, na minha modesta dimensão, o motivo que em tempos me levou a escrever em sua defesa.

Falta, no entanto, reconhecer mais qualquer coisa, algo que o PS nunca fará, mas que os comentadores e analistas poderiam referir e que julgo que seria de inteira justiça. A pasta obtida por Carlos Moedas reflecte também algum do prestígio que este Governo tem vindo a conquistar, em particular Pedro Passos Coelho. O primeiro-ministro português, pela seriedade com que tem governado nos últimos anos, é hoje uma voz escutada com respeito na União Europeia. A pasta atribuída a Moedas reflecte também esse facto.

Quanto ao resto, desejo-lhe as maiores felicidades e que seja tão competente quanto António Vitorino, de longe aquele que foi o melhor comissário português desde a nossa adesão à UE.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 16:35

Seguro/Costa: o primeiro debate

por Paulo Gorjão, em 10.09.14

Julgo ser relativamente consensual dizer que António Costa não tem respondido positivamente, até ao momento, às expectativas que muitos tinham em relação à sua candidatura. No debate de ontem, uma vez mais, tal confirmou-se. Costa nunca teve a iniciativa no debate e passou grande parte do tempo a ter de se justificar. Tendo estado Seguro na liderança do PS nos últimos três anos, não deveria ter sido ao contrário?

Devia, mas não foi o que aconteceu. António José Seguro foi mais incisivo e centrou a sua estratégia em duas questões cruciais: o carácter e a credibilidade de Costa. Não se deu mal, na medida em que tal contribuiu para que ganhasse o debate.

Mas o que fez a diferença a seu favor foi, em primeiro lugar, o facto de estar melhor preparado. Quando a entrevistadora lhe pergunta se sabia qual era o impacto da descida do IVA na restauração, Seguro de imediato disse o valor que estava em causa. Com isso o líder do PS mostrou conhecer os detalhes dos dossiers e o impacto concreto das suas propostas. Em segundo lugar, Seguro arriscou mais e assumiu um compromisso, olhos nos olhos, com os eleitores: se tiver de aumentar os impostos apresentará a sua demissão do cargo de primeiro-ministro, com isso reforçando a credibilidade da sua promessa de que não aumentará os impostos.

Isto dito, não sei qual será o impacto dos debates na orientação de voto dos militantes e simpatizantes, mas a verdade é que Seguro está a ser uma surpresa pela positiva. Longe vão os tempos em que alguns pensavam que a campanha seria um passeio para Costa. É a vida.

P.S. – Assino por baixo as observações de Pedro Correia.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 11:55

"Ao contrário do que os investidores antecipavam, o Banco Central Europeu baixou a taxa de juro directora para um novo mínimo histórico de 0,05%. (...) A decisão foi contra todas as expectativas dos analistas. Segundo uma estimativa da Bloomberg, apenas 6 de 57 economistas consultados esperavam uma redução."

 

"Uma sondagem [entre 125 investidores institucionais em todo o mundo] do banco de investimento norte-americano [Goldman Sachs] aponta que o banco português [BCP] encontra-se entre as dez instituições—das 130 que vão ser examinadas pela autoridade monetária [BCE]—que poderão vir a precisar de aumentar o seu capital."

 

O que leva os investidores e analistas/especialistas a arriscar fazer estimativas com base em informação limitada, para não dizer nula?

Obviamente, a ausência de custos, nomeadamente reputacionais. Os analistas têm carta branca para atirar previsões para o ar sem ter de responder por isso. Há procura, independentemente da qualidade das estimativas e, consequentemente, os analistas respondem a uma necessidade. Mais a mais, amanhã já ninguém se lembra...

Mesmo sabendo como funciona, não deixa de ser curioso que, ainda assim, o público seja influenciado por estas previsões, repito, baseadas em informação muito limitada. O que leva o leitor ou investidor a ter em conta a opinião de 57 economistas, ou de 125 investidores, cuja identidade desconhece e que não tem forma de avaliar o seu grau de conhecimento?

Nós temos uma confiança anormalmente cega em alguém que é rotulado de analista ou especialista, mas que não temos meios de aferir a sua qualidade. Pessoas cuja identidade e fiabilidade desconhecemos por completo. Um exemplo: os seis economistas que acertaram nesta decisão específica do BCE, alguém sabe como se comportaram em decisões anteriores?

Longe de mim querer proibir este tipo de estimativa, ou de sondagem, mas é preciso ter a noção de que, muitas vezes (ou quase sempre...), pouco mais são do que infotainment.

O ideal seria que os analistas se abstivessem de fazer estimativas e previsões. Há neste comentário uma componente de autocrítica. Também eu, por vezes, não resisto a fazer previsões. Em vez de previsões, se se conseguisse apresentar explicações sólidas e credíveis já não era nada mau...

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 16:35

O ar de aparente normalidade pode iludir a gravidade da situação, mas não haja dúvidas: com a integração da Crimeia na Rússia e a intervenção militar no leste da Ucrânia, Moscovo violou não só o direito internacional, como desencadeou a mais grave crise de segurança na Europa desde o final da Guerra Fria. É este e não outro o contexto em que terá lugar dentro de dias a próxima cimeira da NATO.
Isto dito, não vejo alternativa a uma solução negociada para a crise. Nessa medida, levantar a hipótese da adesão da Ucrânia à NATO, nesta altura, é um delírio irresponsável.
"A guerra é a continuação da política por outros meios", frisou um dia Karl von Clausewitz. Ontem, como hoje, um facto indesmentível. Putin não abdica de utilizar meios militares. EUA e UE apenas estão disponíveis para recorrer a instrumentos políticos e económicos. Moral da história?
Les jeux sont faits, rien ne va plus...

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 18:05


O autor

Paulo Gorjão. Blogging since 2003, de acordo com a norma ortográfica antiga.

Arquivo

  1. 2016
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2015
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2014
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2013
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2012
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D