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Como era previsível, oiço e leio comentários críticos ao timing da detenção de Ricardo Salgado. Em concreto, critica-se o facto de Ricardo Salgado ter sido detido apenas depois da sua destituição do cargo de CEO do BES. Como não tenho informação privilegiada, não sei se se trata de uma feliz coincidência, ou se foi propositado como alguns parecem crer.

Devo dizer que no caso de ter sido propositado - aquilo que precisamente parece incomodar algumas pessoas - o juiz Carlos Alexandre sobe na minha consideração. Ninguém pode estar à margem da lei num Estado de Direito, pelo que a Procuradoria-Geral da República (PGR) e os tribunais devem actuar em conformidade. Isto dito, manda o bom senso e o senso comum que aquilo que é diferente não pode ser tratado de forma igual. Sendo iguais perante a lei (nomeadamente na questão da presunção da inocência, já agora...), a verdade é que Ricardo Salgado não é o Palito.

Se, de facto, a PGR deu tempo para que as instituições envolvidas - políticas e de supervisão - removessem Ricardo Salgado da liderança do BES, nesse caso devo dizer que só posso aplaudir o juiz Carlos Alexandre.

Sejamos claros. A detenção de Ricardo Salgado num ambiente não controlado poderia ter tido repercussões gravíssimas de ordem sistémica para a banca e para a economia portuguesa, e teria tido seguramente custos enormes para os (pequenos e grandes) accionistas e para os trabalhadores do BES. Aliás, basta olhar para o que se passou nas últimas semanas para se perceber que esta não é uma suposição fantasiosa.

Repito, não sei se foi coincidência, mas seguramente foi o melhor que poderia ter acontecido. Mais. Nem que tenha sido pelo pior dos motivos - apenas ser forte com os fortes quando os fortes se tornam fracos - a verdade é que, ainda que involuntariamente, este é o desfecho mais razoável. Independentemente de tudo isto, estamos a assistir ao funcionamento do Estado de Direito como alguns não acreditavam que fosse possível. Sejamos honestos: alguém alguma vez pensou ser possível que Ricardo Salgado fosse detido?

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publicado às 19:45

A vida pessoal, profissional e política dá muitas voltas. No ano passado o CDS engoliu nas Finanças um sapo chamado Maria Luís Albuquerque. Agora, perante as notícias de que a ministra poderá vir a integrar a nova equipa da Comissão Europeia, o CDS considera-a imprescindível no Governo.

Adiante. A argumentação elencada pelo director do Diário Económico, António Costa, no sentido de demonstrar que Maria Luís Albuquerque tem de ficar no Governo é, no mínimo, frágil. Carlos Moedas - a minha aposta para a Comissão - seria um substituto para a ministra à altura dos desafios, se se quisesse optar por uma solução no interior do Governo. Independentemente das suas inúmeras qualidades, Maria Luís Albuquerque não é insubstituível. Ninguém é insubstituível e nisso a ministra não difere do comum dos mortais.

Acresce que os constrangimentos de ordem financeira e orçamental, por via do Tratado Orçamental e das circunstâncias específicas em que Portugal se encontra, não deixam muita margem de manobra a quem quer que seja o ministro das Finanças. Independentemente da retórica e da habilidade argumentativa, as circunstâncias impõem o seu peso a quem quer que seja o protagonista a ocupar a pasta das Finanças.

Em suma, claro que Maria Luís Albuquerque é substituível. Se a pasta em Bruxelas o justificar, se Passos Coelho souber escolher alguém da sua confiança e em sintonia com a linha do Governo, a ministra poderá seguir para a Comissão Europeia sem gerar grandes ondas. Quanto ao CDS, enfim, seguramente que a sua posição não é irrevogável.

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publicado às 15:50

Portugal: o novo comissário europeu

por Paulo Gorjão, em 16.07.14

Não são conhecidos o(s) nome(s) que o primeiro-ministro tem na manga para submeter a Jean-Claude Juncker, nem a(s) pasta(s) que ambiciona. No final, como sempre acontece nestes processos, Pedro Passos Coelho poderá reclamar uma vitória. Siga.

 

[Adenda]

Não o conheço de lado nenhum, por isso estou perfeitamente à vontade. A minha escolha seria Carlos Moedas, alguém cuja competência e profissionalismo é indiscutível. Acresce que esta opção daria um sinal importante no sentido da renovação de protagonistas.

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publicado às 21:25

Xi Jinping não vai ao Peter

por Paulo Gorjão, em 16.07.14

Uma vez mais, ainda que por algumas horas apenas e no âmbito de uma escala técnica, a presença de um alto representante do Estado chinês nos Açores é notícia. De novo, o potencial interesse chinês no Atlântico e em particular nos Açores surge na primeira linha mediática.

Percebo que os Açores em particular e o Estado português em geral não desperdicem toda e qualquer oportunidade no sentido de valorizar a sua posição geoestratégica, mais ainda numa altura em que os EUA têm vindo a desinvestir na Base das Lajes. Isto dito, o alegado interesse chinês é uma carta útil, sem dúvida, mas como escrevi em 2012 com impacto e limitações óbvias.

Moral da história?

Bom, dado que a escala da comitiva é na ilha Terceira, ainda não é desta que Xi Jinping conhece o Bar do Peter.

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publicado às 16:05

O último banqueiro

por Paulo Gorjão, em 16.07.14

A minha expectativa era grande, mas terminada a leitura, não encontrei propriamente muitos dados novos. Acresce que, por vezes, o livro me pareceu excessivamente descritivo e menos analítico do que seria de esperar. Creio que faltaram fontes em quantidade e, sobretudo, em qualidade para dar outra espessura mais duradoura.

A grande virtude do livro é o momento oportuno da sua publicação, critério de oportunidade que terá levado as autoras a sacrificar outras prioridades. Mas há outros méritos: um trabalho competente de compilação e sistematização da informação existente, bem como um esforço evidente no sentido de enquadrar o passado recente de Ricardo Salgado.

Aqui e ali há algumas repetições que não se justificariam, mas isso não retira fluidez à leitura. Como (quase) sempre acontece com livros escritos por jornalistas, há um trabalho pouco cuidado e detalhado na apresentação das fontes, mesmo tendo em conta a atenuante de que o livro não é uma obra académica.

Isto dito, os reparos que aqui faço em nada diminuem o trabalho muito meritório de Maria João Babo e Maria João Gago. Como é óbvio, a leitura recomenda-se.

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publicado às 01:40

BES: aumento de capital

por Paulo Gorjão, em 15.07.14

É oficial, ainda que não formalmente: o governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, coloca na mesa um novo aumento de capital no BES. É uma questão de tempo.

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publicado às 23:00

Vítor Bento: sobre a confiança

por Paulo Gorjão, em 15.07.14

Por razões óbvias, Vítor Bento elegeu como prioridade "reconquistar a confiança dos mercados". Bem sei que, para os mercados, os gestos que na sua essência são meramente simbólicos têm um peso relativo. Pessoalmente, no entanto, (talvez excessivamente) valorizo a componente simbólica. Por isso pergunto: Vítor Bento já adquiriu - ou reforçou - a sua carteira pessoal de acções do BES?

Se não o fez só posso retirar uma leitura: o próprio CEO reconhece implicitamente que o actual valor das acções não corresponde ao seu valor real. Dito de outra maneira, Vítor Bento reconhece implicitamente que, neste momento, vender as acções do BES que se tenha em carteira é o gesto mais racional. Digamos que não é propriamente um factor gerador de confiança. Lutar contra a maré negra da desconfiança passa, também, por actos simbólicos.

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publicado às 20:35

BES: pensamento mágico

por Paulo Gorjão, em 15.07.14
Mensagem de Vítor Bento não trava queda do BES para mínimos históricos, diz o Diário Económico. Pensamento mágico, portanto. Era bom que os problemas do BES se resolvessem apenas com a nomeação de Vítor Bento e com duas ou três intervenções iniciais de circunstância. A realidade, infelizmente, é muito mais dura. Independendente das intervenções iniciais do novo CEO e das suas qualidades profissionais e pessoais, as acções do BES muito provavelmente continuarão a perder valor até que se clarifique a sua real situação. Tão simples como isto. Sem pensamento mágico.

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publicado às 16:55

Ainda Passos Coelho...

por Paulo Gorjão, em 12.07.14
...e a sua recusa em validar um empréstimo da CGD ao Grupo Espírito Santo. Onde andam aqueles que acusavam o primeiro-ministro de ser forte com os fracos e fraco com os fortes?

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publicado às 17:45

Seguro: conceito de responsabilidade inclinado

por Paulo Gorjão, em 12.07.14
António José Seguro entende que a sua responsabilidade é defender os pequenos depositantes do BES. Santa paciência. Dispensava-se o populismo e o disparate. O populismo inerente à preocupação com os pequenos em detrimento dos restantes, uma desigualdade de atenção política cuja fundamentação um dia o líder do PS certamente explicará. O disparate porque os pequenos depositantes são precisamente aqueles com que não tem de se preocupar, uma vez que têm os seus depósitos garantidos - via Fundo de Garantia de Depósitos - até aos 100 mil euros. Como sempre, cada tiro cada melro...

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publicado às 16:05

Passos Coelho: absolutamente exemplar

por Paulo Gorjão, em 12.07.14
O primeiro-ministro tem tido um comportamento absolutamente exemplar na sua relação com o Grupo Espírito Santo e com Ricardo Salgado em especial. Critique-se quando se deve criticar, mas elogie-se também quando há matéria para elogiar. Terão sido seguramente inúmeras as pressões para que o Estado fosse em socorro do GES, por intermédio da CGD e não só. Pedro Passos Coelho tem resistido a todas as pressões, políticas e outras, não só para auxiliar Salgado, mas também para tirar partido político disso. Aliás, em marcado contraste com um passado não muito distante.
Salvo se as circunstâncias obrigarem a outro tipo de intervenção, Passos Coelho tem tratado a crise do GES e por arrasto do BES como matéria a ser resolvida pelo supervisor bancário, no último caso, e pela economia de mercado, no primeiro. Cinco estrelas, portanto.

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publicado às 13:20

Portugal Telecom: as lapas

por Paulo Gorjão, em 11.07.14
Termina a semana e Henrique Granadeiro e Luís Pacheco de Melo (CFO) continuam na administração da PT. Não seria de esperar outra coisa de quem fez tão bons investimentos que tanto prestígio e lucro estão a dar à empresa. Já faltou mais para receberem um merecido prémio de desempenho por tão bons serviços prestados.

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publicado às 17:35

Nacionalizar o BES?

por Paulo Gorjão, em 11.07.14
Nacionalizar o BES parece-me realmente uma proposta equilibrada e amadurecida, certamente com base em informação privilegiada. Nada de soluções intermédias, como aconteceu com o BANIF, BCP, BPI ou CGD. Para o BES rapidamente e em força. As saudades que eu tenho do PREC que tão bons resultados nos proporcionou.

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publicado às 13:20

O que é mau para o BES...

por Paulo Gorjão, em 10.07.14
...é mau para Portugal. Bem sei que a opinião pública não é propriamente simpática em relação aos bancos. Não se confunda o trigo com o joio, no entanto. Uma coisa é a responsabilização social (e criminal se for esse o caso dos responsáveis por actos de gestão eventualmente à margem da lei). Outra coisa é a instituição, o BES neste caso, que dá emprego a muitos portugueses e é uma fonte de riqueza para a economia portuguesa. O BES atravessa dias muito difíceis. Quanto mais depressa os ultrapassar melhor será para os seus trabalhadores, para os seus accionistas e para a economia portuguesa em geral. Sobre isso não se confunda o essencial com o acessório.

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publicado às 14:30

Portugal Telecom: colocar-se a jeito

por Paulo Gorjão, em 09.07.14
Nos negócios, como na política, os erros pagam-se caro. Nos negócios, como na política, os punhos de renda ficam à porta. A Portugal Telecom está a confirmar que é assim mesmo. Os accionistas da Oi detectaram uma janela de oportunidade com o investimento da PT em papel comercial da Rioforte e, como se tem visto, procurarão tirar o máximo partido disso. A PT está a pagar um preço elevado em várias frentes, nomeadamente em termos bolsistas e de reputação.
A reacção oportunista da Oi não me surpreende, como se percebe. A PT colocou-se a jeito e a Oi limitou-se a surfar a onda. Nos negócios, como na política, não há amigos, mas apenas interesses.
O que me surpreende, parcialmente, é o silêncio dos accionistas da PT menos alinhados com os interesses do GES. Eles que têm vindo a assumir os custos dos erros da administração da PT sem qualquer contrapartida ou benefício.
Uma coisa me parece evidente. A actual administração da PT está ferida de morte. Não sei qual será a extensão das consequências, mas elas, mais tarde ou mais cedo, serão clarificadas.

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publicado às 00:20

Mundial do Brasil: o clima

por Paulo Gorjão, em 08.07.14
Era interessante reler o que se escreveu nas últimas semanas sobre o impacto do clima no desempenho das selecções europeias. Escrevo ao intervalo do jogo entre o Brasil e a Alemanha em que a última vence por 5-0. Pouco interessa, a comunicação social quer pão e circo. A qualidade do comentário e um mínimo de accountability são exigências que não importa colocar na mesa.

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publicado às 22:00

As coisas são como são...

por Paulo Gorjão, em 08.07.14
A quem deve Henrique Granadeiro o lugar que ocupa na Portugal Telecom? Não é preciso fazer um desenho, pois não?

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publicado às 20:55

BES: lições eternas (2)

por Paulo Gorjão, em 08.07.14
Quando o barco se começa a afundar, os ratos são os primeiros a abandonar o porão. Hoje e sempre.

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publicado às 20:50

BES: lições eternas

por Paulo Gorjão, em 08.07.14
Vítor Bento pode ser a melhor escolha para o novo ciclo do BES, mas a sua vida no curto e médio prazo será muito difícil se as circunstâncias internas e externas não o ajudarem. A bolsa reagiu com euforia à sua escolha. Mas passada a euforia de imediato regressaram os duches de água fria. É a vida.

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publicado às 16:20

Brasil: uma diplomacia sem bússola?

por Paulo Gorjão, em 04.07.14
O Brasil, no âmbito dos BRICS, participará no novo Asian Infrastructure Investment Bank, uma estrutura financeira claramente concorrente do Banco Mundial e do FMI. Uma vez mais, o Brasil surge envolvido numa iniciativa desalinhada com os interesses dos EUA. Mais um tiro nos pés relativamente às aspirações brasileiras a um lugar permanente no Conselho de Segurança. Contradições de uma política externa que persiste em não resolver as tensões entre o passado e o futuro, i.e. entre a sua cultura diplomática e as suas aspirações futuras.

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publicado às 16:10

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