Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]




Guiné-Equatorial na CPLP?

por Paulo Gorjão, em 27.03.14

"Não podemos ter uma visão estática [da CPLP]. Ela não pode ser uma comunidade voltada para o passado, tem de estar voltada para o futuro, e não pode, portanto, ficar centrada naqueles que a fundaram e constituíram", defendeu Pedro Passos Coelho em Maputo. "Os nossos ministros dos Negócios Estrangeiros fizeram uma avaliação do roteiro seguido pela Guiné-Equatorial com vista à sua plena adesão e foram claras na sua recomendação de que, na próxima cimeira de Díli, os chefes de Estado e de Governo possam vir a tomar a decisão de produzir o primeiro alargamento da nossa comunidade", disse ainda o primeiro-ministro.

Uma correcção: este será, a confirmar-se, o segundo e não o primeiro alargamento da CPLP. O primeiro acolheu Timor-Leste que aquando da fundação da CPLP em 1996 era ainda parte integrante do território da Indonésia. Timor aderiu à CPLP em 2002 e esse foi o primeiro alargamento.

Quanto à questão de fundo, não se trata de ter uma visão estática ou dinâmica. Tal como a dicotomia passado vs. futuro também tem pouca utilidade. São fórmulas abstractas que são válidas para esta ou para qualquer outra questão. Trata-se, isso sim, de saber se a inclusão da Guiné-Equatorial corresponde aos nossos interessses nacionais. Vejo mais vantagens do que inconvenientes e, pesados os prós e os contras (e cumpridos alguns requisitos mínimos), se estivesse no lugar de Passos Coelho, ou de Rui Machete, provavelmente defenderia a sua adesão à CPLP.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 13:26

Europeias [2]

por Paulo Gorjão, em 26.03.14

Teaser: vai na volta, o eleitorado é muito mais inteligente do que alguns possam pensar. De outro modo, como explicar a curta liderança do PS? Como é possível que os partidos que suportam um Governo que tem tomado medidas duríssimas tenham um valor tão próximo do maior partido da oposição?

Não são as europeias, dizem-nos, as eleições por excelência em que por regra o eleitorado aproveita para expressar o seu descontentamento com o Governo?

Fonte: Correio da Manhã (26.3.2014).

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 19:50

Europeias [1]

por Paulo Gorjão, em 26.03.14
Para além do cabeça de lista, ninguém presta muita atenção aos restantes membros das listas de candidatos ao Parlamento Europeu. As coisas são como são...
Paulo Rangel e Francisco Assis são duas boas escolhas, ainda que pessoalmente não tenha nenhuma simpatia pelo primeiro. Acontece que nenhum deles está especialmente interessado numa discussão focada nos temas europeus. As coisas são como são...
O PS quer transformar as europeias num pré-teste legislativo. O tiro vai sair pela culatra.

P.S. -- Depois de João Ribeiro ter ido para a Coreia do Sul, agora é a vez de Carlos Zorrinho procurar refúgio na Bélgica. Ninguém parece estar muito confiante num bom resultado em 2015 e, pelo sim e pelo não, a malta vai procurando tratar da vida. É totalmente legítimo, mas é um desastre político.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 12:18

Seguro: jogo arriscado

por Paulo Gorjão, em 23.03.14

"Quem não for votar está a ser cúmplice da política do Governo", afirmou António José Seguro. Veremos se a estratégia não faz ricochete. As sondagens conhecidas recentemente não são muito tranquilizadoras para o líder do PS. Isto dito, muito claramente, Seguro vai misturar europeias com legislativas. Algo me diz que, uma vez mais, vamos assistir a uma campanha eleitoral em que valerá tudo menos arrancar olhos.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 12:44

Imagens que valem por mil palavras

por Paulo Gorjão, em 23.03.14

Fonte: Kal (The Economist, 22.3.2014).

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 12:41

Uma enorme dor de cabeça

por Paulo Gorjão, em 21.03.14

"Cavaco vai dar posse a outro governo minoritário do PS?", é o título de um artigo publicado hoje no Público, que termina perguntando "o que fará Belém se Seguro ganhar com minoria e não chegar a consenso com o CDS ou PSD?".

A resposta honesta é que ninguém sabe o que fará Cavaco Silva. Talvez nem o próprio saiba o que fará. Isto dito, julgo existir uma percepção crescente que o Presidente da República tudo fará para não dar posse a um governo minoritário -- do PS ou de qualquer outro partido político ou coligação -- criando desse modo um impasse que visará obrigar a um entendimento.

Mas, por mera hipótese, vamos levar este exercício um pouco mais longe e admitir que o entendimento, pura e simplesmente, não acontece, i.e. que o PS é o partido mais votado, mas não consegue assegurar uma maioria à sua direita, ou à sua esquerda. Vamos igualmente assumir que PSD e CDS, concorrendo separadamente (o que ainda está por saber), serão o segundo e o terceiro partidos mais votados, tendo os dois 115+1 deputados à Assembleia da República. O que faria Cavaco Silva? Daria posse a um governo do PSD e do CDS, ainda que nenhum deles tivesse sido o partido político mais votado nas eleições legislativas?

A Constituição permite-o. O Art. 197 afirma que "o Primeiro-Ministro é nomeado pelo Presidente da República, ouvidos os partidos representados na Assembleia da República e tendo em conta os resultados eleitorais". Esta formulação, i.e. "tendo em conta os resultados eleitorais", permite inúmeras soluções e em momento algum significa que o partido mais votado tem de ser aquele que obrigatoriamente formará governo. Naturalmente, a questão coloca-se no plano constitucional, mas também no político, e esta situação teria todos os ingredientes para ser uma enorme dor de cabeça. De algum modo, tão importante como saber se Cavaco Silva daria posse a um governo minoritário do PS, é se PSD e CDS estariam disponíveis para formar um governo nas condições aqui referidas. Estariam?

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 16:45

Manifestamente desinformados

por Paulo Gorjão, em 21.03.14

Tão simples como isto: Vítor Bento afirma que o recente debate sobre a questão da dívida pública tem sido feito por vozes mal informadas e que não estudaram o problema. (...) [R]ejeita a ideia de que os limites impostos pelo Pacto Orçamental sejam inatingíveis, argumenta que em 20 anos muita coisa pode acontecer, e que se "nós partirmos para esse horizonte de 20 anos derrotados, vamos chegar derrotados ao fim".

P.S. -- Por falar em contas mal amanhadas, continuam secretos os cálculos elaborados?

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 15:52

Manifestamente inoportuno

por Paulo Gorjão, em 21.03.14

Luís Aguiar-Conraria: "Em conclusão, basta algum, mesmo que ténue, crescimento económico, conjugado com contas equilibradas, para a dívida entrar em trajectória sustentável. São as contas são fáceis de fazer. Porque é que ilustres académicos, como Francisco Louçã, Paulo Trigo Pereira ou Mauro Gallegati, não concordam com elas? O motivo, parece-me, está associado ao Tratado Orçamental, que exige que, em 2035, a dívida pública seja de 60% do PIB. Como a dívida actual é muitíssimo superior, essa meta é difícil de atingir. Todavia, mesmo que se venha a revelar impossível chegar aos 60% dentro de 21 anos, é muito mais razoável aproveitar as próximas duas décadas para renegociar essa meta, do que enfrentar já a potencial catástrofe de uma reestruturação malfeita" (Público).

Na mouche.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 14:34

Mais tarde ou mais cedo...

por Paulo Gorjão, em 21.03.14

"António José Seguro vai ter de dizer com clareza o que quer em relação aos grandes objectivos macroeconómicos para os próximos anos. Não basta dizer, depois de uma reunião com o primeiro-ministro, que há uma 'divergência insanável'. Os portugueses querem saber mais", afirma Teixeira dos Santos. Como disse Carlos César, é evidente que o PS tem sido "demasiado oponente e pouco proponente".

Seguro, na verdade, sabe que não tem alternativas de fundo e esse é o seu problema. É a única explicação que encontro para ser "demasiado oponente e pouco proponente". O PS sempre que tem de clarificar se faria diferente acontece isto. A pseudo-alternativa de Seguro assenta na dissimulação e nos silêncios comprometidos, nas frases vagas e de leitura inócua. Tudo isto terá um preço, antes ou depois das eleições.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 11:48

O que é nacional é bom?

por Paulo Gorjão, em 20.03.14

Como é que o Manifesto dos 70 passava sem o aval vindo do exterior?

Os nossos complexos de inferioridade emergem sempre, mesmo nas situações mais improváveis. O que seria dos 70 manifestantes sem o cunho de legitimação externo?

A rapaziada faz barulho, mas no fundo adora as troikas externas deste mundo. As que nos disciplinam e aquelas que nos asseguram que estamos no caminho certo. Somos todos uns parolos provincianos, no fundo.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 14:30

Crimeia: o precedente do Kosovo

por Paulo Gorjão, em 20.03.14

José Pacheco Pereira, ecoando a tese do precedente defendida por Vladimir Putin, refere na revista Sábado que na Crimeia encontramos "uma situação muito parecida" com a do Kosovo. Realmente, numa leitura simplista, pardon my French, o cu tem tudo a ver com as calças. Os kosovares foram alvo de violações dos direitos humanos ao longo de uma década, mas nada disso ocorreu na Crimeia com a população russa. O Kosovo tornou-se independente depois de uma década de negociações sem êxito, enquanto que na Crimeia teve lugar um referendo no espaço de 15 dias. No Kosovo os EUA deram espaço à diplomacia anos a fio, mas na Crimeia a Rússia avançou para o fait accompli de imediato. Enfim, a lista de diferenças poderia continuar.

Naturalmente, há sempre uma certa dose de hipocrisia na política internacional e os EUA certamente não estão isentos disso, antes pelo contrário. Isto dito, desculpar o que a Rússia fez na Crimeia com o alegado precedente que ocorreu no Kosovo é manifestamente querer vestir a pele de idiota útil. Ainda por cima de forma grosseira.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 13:55

Uma dúvida

por Paulo Gorjão, em 19.03.14

Dois meses e tal depois, Manuela Ferreira Ferreira já mostrou as contas, ou os cálculos foram feitos num guardanapo numa pastelaria? A sua análise sofisticada mantém-se? A tal decisão meramente política que afinal parece estar a ser induzida pela pouca receptividade alemã e não pelas flores políticas de Ferreira Leite?

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 18:06

A sapiência que chega sempre atrasada

por Paulo Gorjão, em 19.03.14

Decorreu hoje a enésima conferência em que participaram diversos ex-titulares da pasta das Finanças, de algum modo confirmando a velha máxima de que aquilo que é bom não é ser ministro, mas sim ex-ministro. Nenhum deles foi consensual enquanto exerceu funções, muitos tiveram de desempenhar o cargo em circunstâncias difíceis. Nada do que disseram ou fizeram na altura passou pelos pingos da chuva sem ser alvo de críticas, por vezes de críticas duríssimas.

Mais eis que, agora livres do peso de funções oficiais, ao abrigo do invejável título de ex-ministros, tudo o que dizem parece estar certo e carregado de sensatez, quando antes era tudo ao contrário. Agora têm soluções para todos os problemas e conseguem detectar falhas de calibragem na mais discreta medida. Curiosamente, se a memória não me falha, desde que aderimos à UE nenhum ex-ministro das Finanças alguma vez regressou à função em data posterior. Trata-se de uma infelicidade nossa porque, muito claramente, o ideal era ter um ministro das Finanças que fosse um ex-ministro das Finanças. Como o circuito da carne assada das conferências nos demonstra repetidamente, um ex-ministro das Finanças que fosse ministro das Finanças endireitava Portugal em 100 dias.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 13:50

Medeiros Ferreira

por Paulo Gorjão, em 18.03.14
Tive o privilégio de o conhecer, ainda que de forma algo distante. Interessava-me sobretudo a vertente de Medeiros Ferreira de natureza académica ou universitária. Cada vez que o escutava aprendia sempre qualquer coisa consigo. Era, aliás, sempre um prazer ouvir as suas reflexões sobre Portugal e sobre a nossa política externa. Já o Medeiros Ferreira político interessava-me muito menos, mas isso agora pouco interessa. É um lugar comum, mas não deixa de ser verdade por isso: com a sua morte ficámos colectivamente mais pobres.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 18:33

12º Jogador

por Paulo Gorjão, em 14.03.14
Como não poderia deixar de ser, no próximo Domingo estarei no Estádio de Alvalade. A minha equipa merece o meu apoio. Tão simples como isto.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 22:20

O tempo político

por Paulo Gorjão, em 13.03.14

Na política, o tempo, o momento em que são apresentadas propostas, é por vezes tão importante como a proposta propriamente dita. Estar certo no momento errado é algo inútil e pode até ser prejudicial. A isto acresce um outro factor. Uma proposta, à partida minimamente relevante, apresentada por um actor político, ou vários, sem credibilidade é meio caminho andado para matar a iniciativa na sua origem. Bem sei que não se deve confundir a mensagem com o mensageiro, mas as coisas são como são e não vale a pena lutar contra a natureza humana.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 19:14

iPhone 5s

por Paulo Gorjão, em 13.03.14

Quinze longos dias e continuo sem telemóvel. Uma vergonha para a FNAC e para a Apple. Um telefone, recordo, com um problema de origem e que utilizei uma semana apenas.

 

[Adenda]

E ao décimo sexto dia, finalmente, eis que chega um telemóvel novo. Foram precisos 16 longos dias para fazer aquilo que deveria ter sido feito de imediato, i.e. dar um telemóvel novo ao cliente, ou no mínimo um equipamento de substituição. Da minha parte, na FNAC não comprarei nada tão depressa.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 13:46

Ucrânia: uma inocente pergunta

por Paulo Gorjão, em 10.03.14
Gideon Rachman (Financial Times): "The problem is that, while western powers know they could damage Russia economically, they also know that in harming Russia they would also inflict plenty of collateral damage on their own economies. Are Europeans and Americans prepared to accept that?"

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 19:31

Ucrânia: uma estratégia em três fases

por Paulo Gorjão, em 10.03.14

David Cameron: "The EU agreed a three-step approach: some measures now; asset freezes and travel bans if Russia does not enter talks; and far-reaching consequences if Russia intervenes further."

 

O referendo que está agendado para o próximo fim de semana na Crimeia ignora por completo o ritmo de resposta da UE, claramente lento e sem capacidade de reacção imediata. Ou, se se quiser, a resposta da UE ignora por completo a evolução rápida da crise. Assim, a estratégia em três fases da UE tem uma capacidade de dissuasão nula, o que não quer dizer que, mais à frente, não possa infligir danos sérios a Putin e à Rússia. Veremos. Factos são factos e aquilo que Putin sabe é que, na Geórgia, conseguiu o que queria sem grandes custos. Putin quer ver para crer, se a UE realmente sobe a parada, ou se recua, como ele provavelmente espera que aconteça.

A UE -- leia-se, sobretudo a Alemanha, mas não só... -- está a tentar fugir o mais que pode a uma escalada na crise, com a esperança de evitar uma retaliação russa. Mas a verdade é que sem infligir custos a Putin, a Rússia dificilmente cederá um milímetro. Ora, EUA e UE têm mesmo de avançar com uma escalada a sério, concreta e substantiva. Já o disse e volto a repetir: Putin só compreende a linguagem da força. Sem sentir na pele -- na sua e na dos seus aliados -- o impacto económico e financeiro da crise, como sentiu no início da semana passada, a Rússia dificilmente recuará. Putin colocou as suas peças e ocupou o tabuleiro a seu bel-prazer. Logo, instalado no terreno, Putin só aceitará alterar a disposição das peças se a isso for obrigado. Não será seguramente apenas com conversa e com ameaças de futuras retaliações que o fará...

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 16:55

Ucrânia: a grande questão

por Paulo Gorjão, em 08.03.14

Kathrin Hille and Neil Buckley: "The question is where Mr Putin goes from here. If Russia is targeted with though financial sanctions, the resulting damage could quickly undermine is power. "He has taken a big gamble but he can't go back," says the person with personal ties to Mr Putin. The calculus seems to be that Russia will get to keep Crimea as the west will not risk conflict." (Financial Times, p.9).

 

Este parágrafo resume bem o ponto -- o dilema e/ou o impasse -- em que nos encontramos. Como deve responder os EUA e, por arrasto, a UE? Escalada ou apaziguamento?

Vladimir Putin está apostar as suas fichas no apaziguamento. Estará certo ou errado?

Julgo que as duas coisas, ainda que no essencial esteja certo: EUA e UE têm pouco apetite por uma escalada. Estará ou não errado no resto dependendo do que pretende alcançar na Crimeia. O referendo agendado clarificará as suas intenções e poderá ser um ponto de viragem. Se Putin se contentar com a segunda melhor opção, i.e. controlo da Crimeia mas sob soberania formal da Ucrânia (Ucrânia que se manterá como Estado tampão), nesse caso poderá ter ganho. Se insistir num curso de acção que terminará na independência ou anexação da Crimeia -- custa-me a acreditar que queira trilhar este caminho -- nesse caso Putin poderá abrir uma caixa de Pandora com custos imprevisíveis para si e para a Rússia que não se resumirão as sanções financeiras. É todo o statu quo pós-Guerra Fria que, na Europa, estará em causa. Ora, dificilmente Putin ganhará alguma coisa com isso. Nessa medida, ao contrário do que se afirma no parágrafo citado, claro que ele pode recuar. Recuará se a isso for obrigado e se ganhar alguma coisa.

 

Como referi igualmente no Twitter:

1. Não acredito que o referendo na Crimeia seja para levar até às últimas consequências.

2. Mas se tal acontecer EUA, NATO e UE devem deixar bem claro quais serão as consequências. Mudam as regras do jogo e com elas o statu quo.

3. Putin só (re)conhece uma linguagem, i.e. a da realpolitik. Na sua ausência tira partido do que interpreta como sendo uma fraqueza.

4. Para se ter capacidade de dissuasão é preciso que o adversário acredite que se está disposto a ir até às últimas consequências.

5. Até agora resposta EUA/UE tem sido mão cheia de nada. Nem aceita fait accompli da Rússia, nem está preparada para falar com voz grossa.

6. Vale a pena (re)ler George Kennan, ainda que as circunstâncias de hoje não sejam, em muitos aspectos, semelhantes às da Guerra Fria.

7. Nunca esquecer, nem por um segundo, que Putin é um velho quadro da KGB. A coisa está impregnada no seu ADN. Estará sempre.

 

As crises são muito pouco educadas. Nunca pedem autorização antes de entrar em cena. Esta, pelo que me parece, está ainda longe de estar resolvida e pode conhecer momentos de grande tensão antes de se encontrar um ponto de equilíbrio. Como é que acabará?

Faites vos jeux...

 

P.S. -- Nos últimos dias não têm faltado artigos sobre a crise ucraniana. Centenas deles. Um, em particular, merece leitura atenta: Henry Kissinger.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 21:33

Pág. 1/2



O autor

Paulo Gorjão. Blogging since 2003, de acordo com a norma ortográfica antiga.

Arquivo

  1. 2016
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2015
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2014
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2013
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2012
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D