Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]




A saída limpa do PS

por Paulo Gorjão, em 26.02.14

O PS sempre defendeu uma "saída limpa" para Portugal, afirma Óscar Gaspar, assessor económico de António José Seguro (este Óscar Gaspar, importa lembrar). Por coincidência, ainda ontem, Paulo Rangel, no Público, salientava o contrário, i.e. que António José Seguro chegou a "sinalizar a preferência pela existência de um programa cautelar". De facto, o PS chegou a exigir a sua inclusão num acordo com vista a um programa cautelar e antes disso defendia mais tempo e mais dinheiro, o que equivalia claramente à continuidade de um qualquer programa de assistência.

A posição -- ou posições... -- do PS, como é óbvio, é, são, inteiramente legítima(s). No entanto, o PS quer uma saída limpa, única e exclusivamente por razões puramente tacticistas. Porém, sendo coerente, como é que o PS pode pedir uma saída limpa se acusa o Governo de ter alcançado resultados sem sustentação?

De duas, uma: ou o PS não quer reconhecer o mérito devido ao actual Governo, ou então a sua posição é totalmente irresponsável, em última instância não acautelando o interesse nacional.

Acresce que mesmo de um ponto de vista puramente táctico, a posição do PS é um erro. O que ganha o PS em forçar o Governo a assumir uma saída limpa mesmo que saiba não ter condições? Que benefício recolhe o PS de uma saída limpa, i.e. do êxito do Governo? Não é óbvio e evidente que, de tanto exigir uma saída limpa, o PS está a contribuir para salientar o eventual futuro sucesso do Governo?

Na verdade, a posição do PS só tem sentido se António José Seguro tiver a certeza absoluta que o Governo não conseguirá uma saída limpa, o que é manifestamente um tiro no escuro e de alto risco, aliás de risco cada vez maior.

O PS, com a exigência de uma saída limpa, revela um tacticismo quase amoral, mas que ao mesmo tempo afunila a sua posição, diminui o espaço de manobra e oferece dividendos quase nulos.

Expliquem-me, por favor, como é que um partido dá um tiro destes no pé e de seguida insiste em repetir a dose.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 20:46

Boletim informativo

por Paulo Gorjão, em 26.02.14

Tuíta-se, também, por aqui.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 18:35

Saída limpa vs. programa cautelar [4]

por Paulo Gorjão, em 26.02.14

Há debates que são muito interessantes de seguir, não só pelo conteúdo em discussão, mas também pela própria observação do debate em si. A discussão sobre as preferências entre uma saída limpa vs. um programa cautelar é um deles. Sem que ninguém conhecesse os exactos termos da equação -- que, aliás, continuamos a não conhecer --, não faltou quem tivesse, fora de tempo, posições vincadas, assertivas, e preferências claramente assumidas com base em muito pouca, para não dizer nenhuma, substância.

Esta discussão, estamos agora a descobrir, talvez seja um pouco pateta, na medida em que a ordenação das preferências está a ser feita em termos absolutos e não em termos relativos. Dito de outra maneira, pode ser um pouco irrelevante o que nós queremos se o que nós queremos não está em cima da mesa. Pouco interessa se nós queremos um programa cautelar se a União Europeia não estiver disponível para nos oferecer essa possibilidade. Ou se nos oferecer essa possibilidade em termos que, na prática, nos estão a convidar a recusar essa via. Por isso, o que os gestores defendem, ou deixam de defender, é relativamente irrelevante. É uma preferência que não controlam. A posição de Miguel Frasquilho, parece-me mais sensata, i.e. o PSD expressa uma preferência, mas acrescenta que essa preferência só é válida se ocorrer em condições favoráveis. Ora, esse é o dado central desde o início: quais são as condições? É preciso conhecer as condições para formular uma opção. Sem conhcer as condições tudo não passa de conversa de café.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 18:27

Zapping blogosférico

por Paulo Gorjão, em 24.02.14

[1] Filipe Nunes Vicente, e [2] Pedro Correia.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 21:56

Ucrânia: prudência, oportunidade e problemas

por Paulo Gorjão, em 23.02.14

Se alguém tem dúvidas sobre o que fará a União Europeia -- e em particular a Alemanha, a França e o Reino Unido -- em relação à Ucrânia, sugiro a (re)leitura de Hans Morgenthau. O decano do Realismo defendia que a prudência é a virtude suprema na acção política. É, assim, fácil de prever que as potências europeias nada farão que indisponha a Rússia. Angela Merkel e Vladimir Putin concordaram em manter a integridade territorial ucraniana?

Claro, não é uma surpresa. Concordaram nisso -- ainda bem, refira-se -- e concordarão em muito mais, se necessário. A Alemanha reconhece à Rússia uma espécie de droit de regard sobre a Ucrânia e, no essencial, a UE terá um papel passivo no desenrolar dos acontecimentos. Esta crise, mais do que uma oportunidade, é encarada em Berlim, Londres e Paris como uma fonte potencial de problemas. Ora, em nome da dita prudência a que aludia Morgenthau, a última coisa que a UE deseja são mais problemas no seu prato, ainda por cima com a Rússia.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 18:05

A magna questão

por Paulo Gorjão, em 22.02.14
Saída limpa ou programa cautelar?
Defendo uma saída cautelar, ou então um programa limpo.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 10:24

O próximo resgate?

por Paulo Gorjão, em 20.02.14

"Muita tinta já correu -- e muita mais correrá -- a propósito da pré-sentença do Tribunal Constitucional alemão sobre o programa de compra de dívida do BCE, o OMT, cujo mero anúncio em Setembro de 2012 coincidiu com o fim da espiral da crise do euro, fazendo com que muita gente considere hoje que se tratou de um dos maiores e melhor sucedidos 'bluffs' dos tempos modernos. (...) No rescaldo da sentença, muitos escreveram que, nunca tendo sido disparada, a mais poderosa arma do BCE em defesa do euro tinha ficado prematuramente sem munições, e que os eurocépticos alemães & co. podiam por o champanhe no gelo porque tinham visto confirmada a sua tese de que, para salvar o euro, os mais básicos direitos -- ou seja, não terem de enfrentar o risco de pagar a factura de erros alheios -- tinham sido cilindrados. Provavelmente, uns e outros pecam por exagero, mas há algumas conclusões que se podem desde já retirar enquanto se espera pelo veredicto do tribunal europeu. A primeira é factual: os juízes -- os juízes alemães -- falaram e os mercados financeiros nem pestanejaram (o que levanta várias questões, desde logo se o anúncio original do OMT terá sido um factor tão decisivo na descida dos juros da dívida dos periféricos). Outra conclusão que, entretanto, que pode tirar é a de que a incerteza sobre a possibilidade de o OMT algum dia ser accionado vai perdurar (18 meses é, em média, o tempo que os juízes europeus demoram a tecer sentenças). Isso desfaz uma das vantagens potenciais para Portugal em aceder a um programa cautelar no pós-troika. E pode ter implicaçõe se, em face de pressões deflacionistas, o BCE quiser avançar com grandes compras de activos, numa versão europeia do 'quantitative easing' do Fed norte-americano e do Banco de Inglaterra. (...) Independentemente do desfecho sobre a legalidade do OMT, a mais certa das incertezas é de que se assista a um reforço da crítica à estratégia de salvamento do euro, especialmente na Alemanha (...). Após cinco resgates na Zona Euro, é neste contexto que se deve prestar especial atenção à recente proposta do Bundesbank: à semelhança dos bancos em risco de falência, que terão de bater à porta de accionistas e obrigacionistas e, só em derradeira instância, podem apelar aos contribuintes para os salvar, também os Estados na vertigem da bancarrota devem olhar para os de dentro antes de gritar socorro para os de fora. Na opinião do banco central alemão, países em risco de incumprimento devem, portanto, avançar com impostos extraordinários sobre a riqueza liquída dos seus cidadãos, designadamente taxas pontuais sobre o capital, para tapar buracos de financiamento dos seus Estados. Essa opção deve também ser explorada para tornar dívidas públicas sustentáveis. Curiosamente, o Bundesbank não está a inovar: o FMI já explorou essa via, utilizada por vários países, designadamente em contextos de pós-guerra, e esta é uma opção há muito defendida por Miguel Cadilhe. Não é, pois, futurologia -- é uma possibilidade que está ao virar da esquina. Dentro ou fora do euro, se Portugal falhar no reequilíbrio das suas contas e voltar cruzar-se pela quarta vez em democracia com a bancarrota, não vai haver mundo que nos socorra: vamos ter de nos socorrer muito mais a nós mesmos."

Eva Gaspar, "Próximo resgate? Imposto Cadilhe" (Negócios, 20.2.2014).

 

Como acontece com regularidade, mais uma reflexão interessante de Eva Gaspar. Não é, no entanto, para mim tão seguro como parece ser para Eva Gaspar, que no caso de uma nova bancarrota (esperemos que não aconteça e que não tenhamos de fazer o teste para ver quem está certo...), não possamos vir a beneficiar de auxílio externo. As circunstâncias mudam, por um lado. O efeito de contágio poderá continuar a ser um risco sistémico, por outro. Enfim, pura e simplesmente, não sabemos como seriam as circunstâncias em que teria lugar essa bancarrota. Ora, uma parte da presente posição alemã decorre de uma avaliação moral -- legítima, mas que não deixa de traduzir uma posição política, entre várias possíveis -- sobre o nosso comportamento em relação ao endividamento público. O meu ponto é que as causas e os contextos variam e com isso o próprio juízo moral sobre esse potencial endividamento. Isto dito, mais um artigo de Eva Gaspar a merecer leitura.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 16:03

Zapping blogosférico

por Paulo Gorjão, em 20.02.14

[1] Pedro Correia, [2] António Garcia Rolo, [3] Filipe Nunes Vicente.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 14:31

No bom caminho

por Paulo Gorjão, em 20.02.14

Indeed...

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 14:31

O circuito da carne assada...

por Paulo Gorjão, em 19.02.14

...também se manifesta deste modo. Não há música pimba, garrafões de tintol, e muita sardinhada, mas a lógica é, no essencial, a mesma, i.e. ver e ser visto. Na próxima vez em que alguém se referir ao circuito de carne assada com evidente gozo ou desprezo, exijam-lhe respeito e perguntem-lhe se nunca frequentou cocktails e lançamentos de livros. Perguntem-lhe também se não havia comidinha lá em casa, ou se não podia ir a uma livraria comprar o tal livrinho e se lhe fazia assim tanta falta o aperto de mão, perdão, o autógrafo. Como diria um conhecido filósofo e grande defensor dos refugiados, é a vida. E a vidinha, essa é que é essa, custa a todos.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 10:01

Alternativas à austeridade

por Paulo Gorjão, em 19.02.14

Parece que existem alternativas, mas falamos nos detalhes noutra altura. E pronto, o debate político em Portugal não passa disto. Como é que era? António José Seguro era demasiado oponente e pouco proponente, não era? Onde estão as propostas concretas de Carlos César?

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 08:23

Impressionantes

por Paulo Gorjão, em 18.02.14

Obrigados, obrigados...

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 21:09

Estou a falar a sério

por Paulo Gorjão, em 18.02.14

A 0.13 cêntimos compro as acções todas que estes nossos amigos da Macquarie quiserem vender, se tiverem algumas lá esquecidas no sótão. Mais. Como sou amigo do meu amigo, até lhes compro accções que, por lapso, também possam ter, por assim dizer, a 0.14 ou 0.15 cêntimos, porque eu não quero que eles percam dinheiro. Assim, libertam capital e podem comprar as acções todas que quiserem do BES e do BPI. Quem é amigo, quem é?

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 21:02

Saída limpa vs. programa cautelar [3]

por Paulo Gorjão, em 17.02.14

Cada vez mais perdido no seu labirinto...

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 19:36

Saída limpa vs. programa cautelar [2]

por Paulo Gorjão, em 17.02.14

Bruno Faria Lopes não andará, provavelmente, muito longe da verdade na leitura que faz dos dados da equação.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 18:54

Daniel Jonas: Passageiro Frequente [4]

por Paulo Gorjão, em 16.02.14

TRANSMIGRAÇÃO

Deixei alguns poemas fugir-me

mas da última vez que reparei

eram mais felizes assim

 

sem mim.

Daniel Jonas, Passageiro Frequente (Língua Morta, 2013), p. 79.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 13:25

Allez, allez, Sporting allez [25]

por Paulo Gorjão, em 16.02.14

Eis que o Sporting regressa às vitórias, aquilo que era verdadeiramente essencial. Não foi um exibição de encher a vista, sobretudo na segunda parte em que alguns jogadores claramente acusaram o esforço. Numa noite fria, o público disse presente em número significativo depois do desaire no derby. William Carvalho voltou a fazer uma grande exibição, e Montero (que viu um golo limpo ser mal anulado) fez também uma grande partida. Um e outro foram, talvez, as duas peças mais influentes, num jogo em que Mané, Jefferson e Rojo também se destacaram pela positiva. As substituições efectuadas pareceram-me tardias, numa altura em que era já perceptível que alguns jogadores estavam esgotados, como era o caso de André Martins e não só (estou a pensar também em Adrien). Wilson Eduardo teve uma noite para esquecer, ao contrário de Carrillo que entrou bem na partida. Num jogo em que o Sporting ganhou pela vantagem mínima, o Olhanense até poderia ter empatado, o que seria uma tremenda injustiça. Aliás, o resultado mais justo seria uma vitória mais expressiva do Sporting. Mas, repito, o essencial era assegurar os três pontos e esse objectivo foi plenamente conseguido, razão pela qual não se percebe alguns assobios que se ouviram nas bancadas. O caminho faz-se caminhando. Haja paciência e confiança. Allez, allez, Sporting allez!

[Publicado também aqui. Ver igualmente o rescaldo da partida de Pedro Correia.]

Foto: Jorge Amaral (Global Imagens via DN).

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 00:20

O controlo do tempo

por Paulo Gorjão, em 15.02.14

Voltaire terá dito que o óptimo é inimigo do bom. Lembrei-me desta observação a propósito da escolha dos candidatos a apresentar nas próximas eleições europeias e em particular da confusão que entretanto se instalou no PS. António José Seguro bem pode dizer que o PS apresentará "as suas listas no tempo adequado", mas é evidente que nesta altura já perdeu o controlo do tempo. Afinal, ele não controla o tempo de forma absoluta. O óptimo é inimigo do bom e, acrescento eu, em política as indecisões -- uma forma de vácuo -- abrem espaço para a intervenção de terceiros. Na ausência de uma decisão, ainda que informal, Seguro permitiu que o acessório substituisse o substantivo.

Não sei a que se deve a sua indecisão, mas é óbvio que ela existe. A explicação mais benigna aponta para a escolha do perfil do cabeça de lista e a incapacidade do secretário-geral de se decidir. Por vezes, uma decisão menos boa poderá ser melhor do que a ausência de uma decisão. Obviamente, com o degradar da situação, Seguro fará muito rapidamente uma escolha, ainda que se defenda formalmente das pressões internas com a lenga-lenga do tempo adequado.

Talvez esta indecisão seja também um sinal de que Seguro está estrategicamente perdido e a sua hesitação reflicta a sua incapacidade em definir um rumo. O problema é tanto mais grave porque o secretário-geral do PS sabe que o resultado das eleições europeias poderá ditar o seu futuro político imediato.

A tudo isto acresce que a vida do líder do principal partido da oposição nunca é fácil. Nós já vimos este filme no passado com outros protagonistas do PS e do PSD. Seguro, pelos vistos, apesar da sua imensa experiência política, ainda consegue cometer erros de principiante. É a vida.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 16:44

Portugal e a Guiné Equatorial

por Paulo Gorjão, em 15.02.14

Ainda esta semana referi achar "alguma piada a esta discussão sobre a adesão da Guiné Equatorial à CPLP ignorando por completo que, nesta matéria, o Presidente da República também é um player". Como ontem o Sol lembra também (clicar na imagem):

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 11:11

Daniel Jonas: Passageiro Frequente [3]

por Paulo Gorjão, em 15.02.14

AMANTES

No limo do linho

polvos

atribulados

 

no enleio

dos seus

tentáculos

 

vulneráveis

jorrando tinta

em autodefesa,

 

como se ameaçados

procurassem

escrever.

Daniel Jonas, Passageiro Frequente (Língua Morta, 2013), p. 70.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 10:10

Pág. 1/4



O autor

Paulo Gorjão. Blogging since 2003, de acordo com a norma ortográfica antiga.

Arquivo

  1. 2016
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2015
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2014
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2013
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2012
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D